O aniversário de Marília, em 4 de abril, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Marília.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do Alto do Cafezal à estação de 1928: a história do 4 de abril

Muito antes da lavoura de café, o subsolo de Marília guardava outra história. Nos arenitos que formam as serras e escarpas em volta da cidade, como a Serra de Avencas e o vale do Barbosa, ficaram preservados restos de animais que viveram na região há cerca de 70 milhões de anos.

O primeiro achado comprovado de dinossauro, um titanossauro, foi feito em 1993 pelo pesquisador William Nava, numa estrada municipal 16 km ao norte da cidade. Depois vieram os fósseis de um pequeno crocodilo da era dos dinossauros, batizado em 1997 de Mariliasuchus amarali, e, em 2009, o esqueleto de outro titanossauro, escavado entre 2011 e 2012 e conhecido como Dino Titã de Marília. Em 2023, a USP descreveu o Mariliabatrachus navai, um pequeno sapo pré-histórico encontrado por Nava na região entre 2000 e 2001. Parte das peças fica no Museu de Paleontologia de Marília.

Catedral Basílica de São Bento, matriz e dedicada ao padroeiro da cidade. Foto: Érica Montilha, CC BY 4.0

Quando a frente pioneira avançou para o oeste paulista, a região era território dos caingangues, povo que ocupava a área entre a Cuesta de Botucatu e o Rio Tietê. Eles se chamavam a si mesmos por um nome que quer dizer gente do mato; os brancos os apelidaram de coroados, por causa do corte de cabelo.

Em 1905, uma expedição da Comissão Geográfica e Geológica do Estado, encarregada de reconhecer os vales dos rios do Peixe e Feio, encontrou cinco grupos caingangues na área, liderados pelos caciques Vauhin, Ary Krim-Krim, Bri, Rerig e Iakri. A construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, iniciada no mesmo ano, foi violenta para os indígenas. Em 1910, o governo federal criou o Serviço de Proteção ao Índio, que instalou um posto na região sob o comando de Cândido Rondon.

Uma estrada, três patrimônios e o café

A ocupação não indígena começou por uma estrada. Em 1913, o governo do Estado encarregou o coronel Antônio Carlos Ferraz de Sales de abrir um caminho entre Presidente Pena, que viria a ser Cafelândia, na linha da Noroeste, e Platina, na Sorocabana. Com a estrada aberta, Cincinato César da Silva Braga comprou as terras do espigão entre as bacias do Peixe e do Tibiriçá, chamou-as de Cincinatina e mandou plantar 10 mil pés de café.

Vieram imigrantes japoneses, italianos, espanhóis e sírios. Em 1923, o português Antônio Pereira da Silva e os filhos compraram 53 alqueires e lotearam o povoado de Alto do Cafezal. Ao lado dele surgiu a Vila Barbosa, aberta por Vasques Carrión, e em 1925 Bento de Abreu Sampaio Vidal abriu um terceiro patrimônio nas vertentes de Cincinatina.

Linha do tempo de MaríliaSete marcos, de 1926 a 1966, na história de Marília.
  • 1926A Lei Estadual 2.161, de 22 de dezembro, cria o distrito de Marília.
  • 1928Inauguração da estação e criação do município pela Lei Estadual 2.320, de 24 de dezembro.
  • 1929Instalação do município de Marília, em 4 de abril.
  • 1943Amador Aguiar funda em Marília o Banco Brasileiro de Descontos, o Bradesco.
  • 1952Criação da Diocese de Marília e elevação da matriz de São Bento a catedral.
  • 1956Fundação da Marilan.
  • 1966Criação da Faculdade de Medicina de Marília (Famema).

Em 1926, Sampaio Vidal cedeu terras à Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que avançava pela região. Em 22 de dezembro daquele ano, a Lei Estadual 2.161 criou o distrito, subordinado a Cafelândia, reunindo os três patrimônios.

A estação foi inaugurada em 1928 com o nome de Marília. A sugestão partiu de Sampaio Vidal, inspirado no poema Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, e a Companhia a aceitou porque, a partir de Piratininga, batizava as estações em ordem alfabética. A Lei Estadual 2.320, de 24 de dezembro de 1928, criou o município, desmembrado de Cafelândia e de Campos Novos, e a instalação ocorreu em 4 de abril de 1929, a data do aniversário.

Distritos, banco, bolacha e faculdades

Nos primeiros anos, o município ocupou um território extenso, que foi sendo repartido. No fim de 1937 eram 13 distritos, entre eles Pompéia, Bastos e Oriente. Vera Cruz já tinha se emancipado em 1934; em 1938 Bastos passou para Tupã e Pompéia virou município; Oriente seguiu o mesmo caminho em 1944 e Ocauçu em 1959. Na divisão de 1960, ficaram com Marília os distritos de Amadeu Amaral, Avencas, Dirceu, Lácio, Padre Nóbrega e Rosália.

Em 1938 foi inaugurado um terminal rodoviário pioneiro, marco do transporte no interior. Em 1943, Amador Aguiar fundou em Marília o Banco Brasileiro de Descontos, o Bradesco, voltado ao pequeno comerciante e ao agricultor. Aguiar fundou o banco na cidade, mas não nasceu nela. Em 1952 veio a Diocese de Marília, e a matriz de São Bento, dedicada ao padroeiro, foi elevada a catedral.

Igreja de Nossa Senhora da Glória, na avenida Sampaio Vidal. Foto: AdriDaqui, CC BY-SA 4.0

Com a Marilan e marcas como Dori e Bel a cidade ganhou os apelidos de Cidade da Bolacha e Capital Nacional do Alimento. Em 1966 foi criada a Faculdade de Medicina de Marília, a Famema, que se somou à Unesp e à Unimar no polo de ensino e saúde da região. Quem nasce na cidade é chamado de mariliense.