O aniversário de Manacapuru, em 16 de julho, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Manacapuru, conforme a Lei Orgânica de Manacapuru, art. 278 (Emenda 015/2018).
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do aldeamento Mura à Princesinha do Solimões: a história do 16 de julho
A ocupação organizada da região de Manacapuru tem data registrada: 15 de fevereiro de 1786. O núcleo nasceu de uma aldeia de indígenas Mura, povo do baixo Solimões que resistiu por décadas ao avanço colonial e cuja pacificação, segundo o histórico oficial do município, teria ocorrido no ano anterior, em 1785.
Os Mura ocupavam a área desde o século XVII e eram vistos pelos portugueses como hostis. A partir de 1774, foram alvo de guerras comandadas por Matias Fernandes e pelo diretor da aldeia de Santo Antônio do Imaripi, no rio Japurá, bem distante dali.
Antes da aldeia, o lugar já tinha uma função ligada ao rio. Pouco abaixo da foz do rio Manacapuru, na margem do Solimões, funcionava uma feitoria de pesca chamada Caldeirão, administrada por Sebastião Pereira de Castro. A produção abastecia a guarnição militar sediada em Barcelos, no rio Negro, que era então a sede da capitania.
Em 1785, o administrador da feitoria comunicou ao general Pereira Caldas a chegada de um grupo numeroso de Mura que queria se fixar nas vizinhanças. O general recomendou levá-los para Anamã ou para outro local escolhido pelo administrador. O lugar definido foi a margem do lago Manacapuru, onde cerca de 290 indígenas se estabeleceram em fevereiro de 1786. A povoação herdou o nome do lago.
A posição à margem esquerda do Solimões, na confluência com o rio Manacapuru, manteve o povoado ligado à rotina das embarcações e ao comércio fluvial ao longo do século XIX.
Da freguesia de Nazaré à cidade de 1932
A organização religiosa chegou antes da política. A Lei 148, de 12 de agosto de 1865, criou a Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de Manacapuru, com sede na povoação. A devoção deu nome à paróquia e, entre 1904 e 1907, à Igreja Matriz erguida no centro, na praça que mais tarde receberia o nome da data do aniversário.
A autonomia municipal veio com a República. Pela Lei Estadual 83, de 27 de setembro de 1894, Manacapuru foi elevada à categoria de vila e desmembrada do município de Manaus. A instalação ocorreu em 16 de junho de 1895. Em 1901, a Lei 354 criou a comarca, extinta em 1921 e restabelecida no ano seguinte.
O território de então era muito extenso. Em 1911, o município reunia 13 distritos, entre eles Beruri, Caapiranga e Manaquiri, e no recenseamento de 1920 aparecia com cinco: Manacapuru, Aiapuá, Campinas, Manaquiri e Terra Preta. A elevação à categoria de cidade veio pelo Ato Estadual 1.639, de 16 de julho de 1932, e é dessa data que a Prefeitura conta a idade do município. A Praça 16 de Julho, no Centro, guarda a referência.
- 1786Aldeamento ligado ao povo Mura organiza a ocupação da região, no baixo Solimões.
- 1894Manacapuru é elevada à condição de município.
- 1904-1907Construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, no centro.
- 1932Em 16 de julho, o Ato 1.639 eleva Manacapuru à categoria de cidade. Marco do aniversário.
- 1980O Festival de Cirandas se firma como a festa folclórica da cidade.
- 2011A Ponte Rio Negro liga Manaus a Iranduba e encurta o acesso à cidade.
- 2021A AM-070, rodovia Manoel Urbano, é entregue duplicada entre Manaus, Iranduba e Manacapuru.
Um decreto-lei estadual de 1938 recriou os distritos de Caapiranga e Beruri dentro do município, e em 1957 uma lei municipal criou o distrito de Vila Rica. Nas décadas seguintes, o mapa encolheu. Em 1961, o distrito de Beruri virou município, e em 1963 foi a vez de Caapiranga e de Vila Rica, também desmembrados por lei estadual. Os três municípios seguem vizinhos de Manacapuru, ao lado de Iranduba, Manaquiri, Anamã e Novo Airão. Em 27 de dezembro de 2007, o município foi incluído na Região Metropolitana de Manaus.
Juta, cirandas e a estrada para Manaus
A economia do século XX seguiu o calendário das águas. Os ciclos da juta e da malva, fibras plantadas na várzea, sustentaram as famílias ribeirinhas ao lado da pesca e da agricultura. A posição às margens do rio também rendeu à cidade o apelido de Princesinha do Solimões.
O nome, de origem tupi, é associado à ideia de flor matizada, de cores variadas. A expressão batiza um dos três grupos do Festival de Cirandas, ao lado de Guerreiros Mura e Tradicional. A disputa entre eles se firmou a partir de 1980 como a grande festa folclórica do município, e o nome Guerreiros Mura leva à arena o povo que está na origem da cidade.
O acesso por terra mudou com duas obras. Em 2011, a Ponte Rio Negro passou a ligar Manaus a Iranduba, e em 2021 a AM-070, rodovia Manoel Urbano, foi entregue duplicada entre Manaus, Iranduba e Manacapuru. Mesmo assim, boa parte dos deslocamentos no interior do município continua pelo rio, que marca o ritmo de cheia e vazante da vida local.