O aniversário de Jaú, em 15 de agosto, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Jaú.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

O peixe do Tietê e a comissão dos fundadores

A história de Jaú começa no rio Tietê. Bandeirantes que navegavam por ele pararam para pescar na foz de um ribeirão e fisgaram um peixe grande chamado jaú. O lugar ficou conhecido como Barra do Ribeirão do Jaú, e o nome, de origem tupi, passou ao rio e à região. Atraídas pela terra roxa, famílias de Itu, Porto Feliz, Capivari e do sul de Minas Gerais se fixaram ali.

No século XIX, os moradores da área pertenciam à Freguesia de Nossa Senhora de Brotas, a 9 ou 10 léguas de distância. Batizados, casamentos e registros de terra, os registros paroquiais, exigiam viagens frequentes até lá, e cresceu a ideia de criar um patrimônio próprio, com igreja, cemitério e lotes para casas e comércio.

Catedral de Nossa Senhora do Patrocínio, padroeira de Jaú. Foto: CorraleH, CC BY-SA 4.0

No segundo semestre de 1851, formou-se uma comissão com o Tenente Manoel Joaquim Lopes, Francisco Gomes Botão, Bento Manoel de Moraes Navarro, Lúcio de Arruda Leme e o Capitão José Ribeiro de Camargo, lembrados como os fundadores. As reuniões eram na casa de Lúcio de Arruda Leme e trataram do local, do nome, da doação da área ao bispado, da escolha do padroeiro e da derrubada da mata.

O patrimônio de 40 alqueires e a padroeira

As decisões da comissão desenharam a futura cidade. O povoado ocuparia 40 alqueires, doados em partes iguais por Francisco Gomes Botão e pelo Tenente Manoel Joaquim Lopes. O nome não teve discussão: a região já era conhecida como Jahú, por causa do rio, e a escolha foi unânime.

As terras ficavam entre a margem esquerda do rio Jaú e o Córrego da Figueira. A padroeira, Nossa Senhora do Patrocínio, foi sugestão de Bento Manoel de Moraes Navarro, que mandou entalhar em Itu a imagem da santa e a doou ao povoado. Em mutirão, a comissão derrubou e queimou a mata, abrindo duas clareiras: uma para a igreja e o Largo da Matriz e outra para o cemitério, no terreno onde depois se instalou o Grupo Escolar Major Prado.

Linha do tempo de JaúSete marcos, de 1851 a 1901, na história de Jaú.
  • 1851Moradores formam a comissão que organiza a fundação do patrimônio.
  • 1853Em 15 de agosto, data adotada como fundação do povoado.
  • 1859A Lei Provincial 11 cria a freguesia de Jaú, subordinada a Brotas.
  • 1866A Lei Provincial 60 eleva Jaú a vila, desmembrada de Brotas.
  • 1887Chegada da ferrovia (Rio Claro Railway), que escoa o café para Santos.
  • 1889Instalação do município e elevação à condição de cidade.
  • 1901Inauguração da Catedral de Nossa Senhora do Patrocínio e da iluminação elétrica pública.

A data de 15 de agosto de 1853 marca a fundação do povoado e coincide com o dia da Assunção de Nossa Senhora e com a festa da padroeira, por isso o aniversário e a festa religiosa caem juntos todo ano. Em 1857, a Lei Provincial 25 incorporou ao povoado os bairros do Tietê, Curralinho e Jacareí. A Lei Provincial 11, de 24 de março de 1859, criou a freguesia de Jaú, subordinada a Brotas.

Da vila de 1866 à cidade do calçado

A separação de Brotas veio pouco mais de uma década depois. A Lei Provincial 60, de 23 de abril de 1866, elevou Jaú a vila e a desmembrou de Brotas. Em 1868 foi criado o termo de Jaú, com Antônio Ferreira Dias como primeiro juiz municipal e o Tenente Antônio Manoel de Moraes Navarro, filho de Bento Manoel, como primeiro delegado de polícia. A instalação ocorreu em 1889, ano em que a vila também passou à condição de cidade. Quem nasce em Jaú é jauense.

A economia nasceu do café, que ganhou escala com a chegada da ferrovia da Rio Claro Railway, em 1887, ligando a produção ao porto de Santos. Por volta de 1870 o café já tinha formado uma elite de fazendeiros, que trouxe mão de obra especializada para erguer palacetes, e Jaú estava entre os poucos municípios do interior paulista com calçamento urbano. Em 1901 foram inauguradas a Catedral de Nossa Senhora do Patrocínio e a iluminação elétrica pública. O território encolheu com a emancipação de Barra Bonita, em 1912, e de Bica de Pedra, em 1913, e ganhou o distrito de Potunduva em 1928.

Shopping de calçados em Jaú, vitrine do polo de sapatos femininos. Foto: José Reynaldo da Fonseca, CC BY 2.5

A virada para o calçado começou no início do século XX, com as primeiras sapatarias ligadas à colônia italiana. O ofício se espalhou e substituiu o café como motor econômico ao longo do século. Pela quantidade de fábricas de sapatos femininos, Jaú ficou conhecida como Capital do Calçado Feminino.

A Catedral de 1901, em estilo neogótico, é a quarta igreja erguida para a padroeira. Tem vitrais importados da Alemanha, carrilhão de cinco sinos e um órgão de tubos construído em 1920 por Carlos Möhrle. No mesmo ano da inauguração, em 28 de setembro, começou a funcionar a Companhia de Força e Luz do Jaú.

As lojas de calçado fazem da cidade um destino de turismo de compras. O centro histórico guarda a herança do café e da ferrovia, com a antiga estação restaurada, e a Catedral segue como centro da devoção celebrada no dia do aniversário.

Como Jaú comemora

O 15 de agosto junta duas celebrações: o ato cívico do aniversário, com homenagens organizadas pela Prefeitura no Paço Municipal, e as missas e celebrações da festa de Nossa Senhora do Patrocínio.

A programação costuma ser divulgada pela Prefeitura de Jaú nas semanas anteriores ao aniversário.