O aniversário de Itatiba, em 1º de novembro, é feriado?
Não, o aniversário de Itatiba não é feriado municipal.
O feriado municipal de Itatiba é o dia de Nossa Senhora do Belém, padroeira (8 de setembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Do Bairro do Atibaia à vila separada de Jundiaí
Itatiba nasceu no território de Jundiaí, na divisa com as antigas vilas de Atibaia, Bragança e Campinas. Desde cerca de 1700, o Rio Atibaia servia de caminho para gente e mercadorias entre uma vila e outra, mas a área só passou a ser ocupada de forma fixa no fim do século XVIII, quando se descobriu a fertilidade das terras.
O registro mais antigo é de 1786. Um recenseamento da Vila de Jundiaí, achado em 2004 no Arquivo do Estado de São Paulo, mostra doze famílias, vindas na maioria de Atibaia e Bragança, abrindo sítios na mata às margens do rio. O núcleo rural recebeu o nome de Bairro do Atibaia e, em 1792, já reunia 42 famílias.
Naquele mesmo ano chegou o jundiaiense Antonio Rodrigues da Silva, o Sargentão, que tinha de fato a patente de sargento e servia na 6ª Companhia do 1º Regimento de Infantaria e Milícias de Jundiaí. Foi ele quem trouxe, provavelmente de Minas Gerais, a imagem de Nossa Senhora do Belém e ergueu uma pequena capela no seu sítio, no atual bairro do Cruzeiro, que virou o centro religioso e social da comunidade.
Com mais moradores, a capela ficou pequena. Em 1822, o Sargentão e o amigo Raimundo Cardoso de Oliveira compraram uma gleba na colina vizinha e, em agosto de 1823, doaram as terras como patrimônio da Capela do Belém. Ali foram abertas as primeiras ruas, largos e praças do centro, e começou a segunda capela, a atual igreja do Rosário.
- 1786Chegada das primeiras famílias às margens do Rio Atibaia.
- 1830A comunidade é elevada a freguesia, com o nome de Belém de Jundiaí.
- 1857A Lei provincial 553 cria a vila em 20 de fevereiro; os primeiros vereadores tomam posse em 1º de novembro.
- 1876A vila é elevada à categoria de cidade.
- 1877Adoção do nome Itatiba.
- Anos 1960Instalação das primeiras fábricas de móveis coloniais.
Da freguesia de 1830 à cidade do café
A meta dos moradores era a freguesia, que veio em 9 de dezembro de 1830, por decreto imperial, com o nome de Belém de Jundiaí. A autonomia levou mais tempo: uma lei provincial de 20 de fevereiro de 1857 criou a vila, separada de Jundiaí, e em 1º de novembro de 1857 tomaram posse os primeiros vereadores eleitos, data que a cidade adota como aniversário.
A separação coincidiu com a chegada do café. Na segunda metade do século XIX, as fazendas cafeeiras dominaram a economia e enriqueceram a região. A vila foi elevada a cidade em 1876 e, em 1877, a Lei Provincial 36 trocou o nome para Itatiba, do tupi para muita pedra, em referência ao terreno pedregoso.
Para levar a safra até a rede ferroviária paulista, o município teve a própria estrada de ferro, o Carril Itatibense. Entre 1860 e 1890, segundo o historiador ouvido pelo jornal Itatiba Hoje, o município figurou ao lado de Campinas e Amparo entre os mais ricos do país com o café. A lavoura dependia do trabalho escravizado, que nas décadas de 1870 e 1880 chegou a cerca de dois terços dos moradores, e a abolição foi celebrada na cidade em 28 e 29 de abril de 1888, dias antes da Lei Áurea; a Avenida 29 de Abril guarda essa data. Depois vieram os imigrantes italianos, que deixaram marca nos sobrenomes e na mesa da cidade.
O ciclo perdeu força com as crises do café, sobretudo a de 1929. Do período ficaram edificações do século XIX no centro, entre elas o prédio do Museu Municipal e a Basílica de Nossa Senhora do Belém, dedicada à padroeira.
Das primeiras fábricas à Capital do Móvel Colonial
Com o declínio do café, a cidade se voltou para a indústria. As primeiras fábricas produziam tecidos, fósforos e calçados. A partir dos anos 1960, instalaram-se as oficinas de móveis em estilo colonial, de linhas rústicas e madeira maciça, que deram a Itatiba, nos anos 1970, o título de Capital Brasileira do Móvel Colonial. Com o tempo, parte do setor passou a fazer móveis sob medida.
O território também mudou. Em 1891 foi criado o distrito de Conceição da Barra Mansa, rebatizado Morungaba em 1919 e emancipado em 1964. O relevo de colinas e o clima ameno, perto dos 760 metros, deram à cidade o apelido de Princesa da Colina, e em 2018 Itatiba foi reconhecida como Município de Interesse Turístico pelo governo paulista. Desde 2012, um casarão colonial do século XIX abriga o Conservatório Municipal Profª Alba Panzarin Degani, com oficinas de arte e música.
Quem nasce na cidade é itatibense. A identidade local carrega as duas heranças econômicas, a do café no século XIX e a da marcenaria no século XX, e o próprio nome remete ao chão de pedra à beira do Rio Atibaia.