O aniversário de Itaituba, em 15 de dezembro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Itaituba.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Das especiarias do Tapajós à vila de 1856: a origem de Itaituba

A documentação histórica mostra que o lugar de Itaituba já existia em 1812. Naquele ano, o viajante Miguel João de Castro mencionou a localidade no relato de sua viagem pelo Rio Tapajós, como centro da exploração e do comércio de especiarias do Alto Tapajós.

O Rio Tapajós em Itaituba. Foto: Wevertoncordeiro, CC BY-SA 3.0

Antes dos portugueses, a região era ocupada pelos índios mundurucus. A expedição do capitão Pedro Teixeira, em 1626, levou os portugueses pela primeira vez ao Tapajós, e os jesuítas chegaram ao rio em 1639. As aldeias missionárias fundadas por eles ao longo do Tapajós viraram vilas e lugares; duas receberam em 1758 os nomes de Boim e Pinhel, as freguesias de que Itaituba dependeria.

A Cabanagem mudou o mapa da região. Em 1836, durante a revolta, foi fundada Brasília Legal, na margem esquerda do Tapajós, como posto de resistência. No mesmo ano, segundo o naturalista Ferreira Penna, Itaituba era um aldeamento indígena dependente do Grão-Pará, para onde o governo enviou um pequeno destacamento.

Entre os nomes ligados ao período, a história local destaca o tenente-coronel Joaquim Caetano Corrêa, precursor do desbravamento da região tapajônica e considerado o fundador do município. Até 1853, Itaituba dependeu da freguesia de Pinhel e, depois, passou para a jurisdição de Boim.

Linha do tempo de Itaituba11 marcos, de 1812 a 2010, na história de Itaituba.
  • 1812O viajante Miguel João de Castro cita Itaituba como centro do comércio de especiarias do Alto Tapajós.
  • 1836Na Cabanagem, fundação de Brasília Legal como posto de resistência.
  • 1854A Lei Provincial 266 cria a vila de Itaituba, com sede em Brasília Legal.
  • 1856A Lei Provincial 290, de 15 de dezembro, transfere a sede para Itaituba.
  • 1900A Lei Estadual 684 eleva Itaituba à condição de cidade.
  • 1930Decreto estadual extingue o município, que passa à administração direta do Estado.
  • 1935A Lei Estadual 8 restaura o município.
  • 1961Brasília Legal se separa e vira o município de Aveiro.
  • Anos 1970A rodovia Transamazônica (BR-230) chega a Itaituba.
  • Anos 1980Auge da corrida do ouro no Tapajós, com intenso movimento de pequenos aviões.
  • Anos 2010O distrito de Miritituba vira polo de transbordo de grãos pela hidrovia do Tapajós.

A organização municipal veio em duas etapas. A Lei Provincial 266, de 16 de outubro de 1854, criou a vila com o nome de Itaituba, mas com sede em Brasília Legal. Em 15 de dezembro de 1856, a Lei Provincial 290 transferiu a sede para a povoação de Itaituba, reinstalada em 3 de novembro de 1857. É essa transferência que o aniversário celebra.

Por dois anos, portanto, a vila teve o nome de Itaituba e a sede em outra povoação, a antiga Brasília Legal da Cabanagem. A mudança para a margem onde estava o antigo aldeamento firmou Itaituba como centro administrativo do médio Tapajós.

O nome vem do tupi ita'ĩtyba, ajuntamento de pedrinhas. Quem nasce na cidade é itaitubense.

Extinção, retorno e os distritos que viraram municípios

A trajetória administrativa de Itaituba teve interrupções. A elevação à condição de cidade veio pela Lei Estadual 684, de 23 de março de 1900, e a instalação ocorreu em 15 de novembro do mesmo ano. Três décadas depois, o Decreto Estadual 78, de 27 de dezembro de 1930, extinguiu o município, e o território ficou sob administração direta do Estado do Pará.

A autonomia voltou com a Lei Estadual 8, de 31 de outubro de 1935. Nas divisões de 1936 e 1937, o município aparece com três distritos: Itaituba, Brasília Legal e Igapó-Açu, este último extinto em 1938 e anexado à sede.

O território imenso foi se repartindo. A Lei Estadual 2.460, de 29 de dezembro de 1961, criou os distritos de Jacareacanga e São Luiz do Tapajós e desmembrou Brasília Legal, que virou o município de Aveiro. Em 13 de dezembro de 1991, três municípios saíram do território de Itaituba: Jacareacanga, elevado pela Lei Estadual 5.691, Novo Progresso e Trairão. Na divisão de 2021, Itaituba aparece com dois distritos, a sede e Moraes Almeida.

A separação de Brasília Legal fechou um ciclo curioso: a povoação que tinha sido sede da vila em 1854 voltou a ter governo próprio, mais de um século depois, com o nome de Aveiro.

Igreja de Sant'Ana, ligada à padroeira da cidade. Foto: Wevertoncordeiro, CC BY-SA 3.0

A padroeira, Nossa Senhora de Sant'Ana, é celebrada em julho, com a procissão do Círio no dia 26. A Igreja de Sant'Ana guarda essa devoção no centro da cidade.

Ouro, estrada e grãos: o Tapajós no século XX

A partir de meados do século XX, a economia de Itaituba mudou de escala. Os garimpos do Tapajós atraíram levas de garimpeiros, e a cidade virou base comercial dessa frente de mineração.

Nos anos 1970 chegou a rodovia Transamazônica (BR-230), que mudou o acesso por terra. Nos anos 1980, no auge da corrida do ouro, pequenos aviões saíam do aeroporto local para abastecer os garimpos na floresta. Daí veio o mote de cidade pepita.

A mineração também deixou danos, com degradação ambiental causada pelo mercúrio.

A orla de Itaituba, à beira do Tapajós. Foto: Wevertoncordeiro, CC BY-SA 3.0

Nos anos 2010, o distrito de Miritituba, do outro lado do rio, virou polo de transbordo de grãos. A soja e o milho que descem do Centro-Oeste pela BR-163 seguem dali em comboios de barcaças pela hidrovia do Tapajós, no corredor do Arco Norte. Na estação seca, de julho a setembro, o rio baixa e surgem as praias fluviais de areia branca, lazer de quem vive na cidade.