O aniversário de Ilhéus, em 28 de junho, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Ilhéus.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Da capitania de São Jorge à cidade de 1881: a história do 28 de junho

O 28 de junho marca a elevação de Ilhéus a cidade, em 1881, pela Lei Provincial 2.187, numa ação referendada pelo Marquês de Paranaguá. A instalação foi em 14 de agosto daquele ano. A raiz, porém, recua quase três séculos e meio, até a capitania criada por dom João III.

A carta de doação foi assinada em Évora, em 26 de junho de 1534, em favor de Jorge de Figueiredo Correia, escrivão da corte. A Capitania de São Jorge dos Ilhéus tinha 50 léguas de costa, da ilha de Tinharé à de Comandatuba, e avançava sertão adentro sem limite fixo a oeste.

Igreja de São Jorge, em Ilhéus. Foto: Leandro M800, CC0

A Igreja de São Jorge lembra a devoção do donatário, que nunca veio ao Brasil. Em seu lugar, mandou o espanhol Francisco Romero, cuja caravana chegou em 1535 ao Morro de São Paulo e depois se transferiu para a Baía do Pontal. A vila foi fundada no Outeiro de São Sebastião, onde fica o marco de fundação.

O nome junta o santo do donatário e as ilhotas do litoral, como a Pedra de Ilhéus e o Ilheusinho. Os primeiros anos foram de conflito com tupiniquins e aimorés e de engenhos em sesmarias doadas pelo donatário. Uma delas, de 1537, ficou com Mem de Sá, futuro terceiro governador-geral: o Engenho de Santana, onde se formou o distrito de Rio do Engenho. Em 1556, a vila virou freguesia por ordem do bispo dom Pero Fernandes Sardinha, e Tomé de Sousa chegou a descrever a região como a melhor coisa daquela costa para fazenda.

Motins, venda da capitania e a volta à Coroa

A ordem durou pouco. Romero entrou em choque com os colonos, que se amotinaram, o prenderam e o mandaram de volta a Portugal. Em 1559 começou a Guerra dos Ilhéus, e Mem de Sá reprimiu os tupiniquins no episódio lembrado como Batalha dos Nadadores, na praia do Cururupe.

Com a morte do donatário, em 1551, o filho mais novo, Jerônimo de Alarcão de Figueiredo, vendeu a capitania a Lucas Giraldes. O filho dele, Francisco Giraldes, herdou-a e foi nomeado governador do Brasil em 1588, mas morreu um ano e meio depois. Endividada, a capitania foi perdida por Maria Giraldes em 1620.

Em 1595, um ataque francês foi repelido, e o fortim de Santo Antônio, na entrada do porto, virou forte de pedra e cal em 1611. Em 9 de junho de 1754, Ilhéus voltou à Coroa portuguesa, e em 1760 foi criada a comarca. Em 1818, os suíços Pedro Weyll e Saneraker compraram terras e, quatro anos depois, trouxeram cerca de 161 colonos alemães.

Linha do tempo de IlhéusSete marcos, de 1534 a 1990, na história de Ilhéus.
  • 1534A Capitania de São Jorge dos Ilhéus é concedida a Jorge de Figueiredo Correia.
  • 1535Chegada de Francisco Romero e fundação da Vila de São Jorge dos Ilhéus, no Outeiro de São Sebastião.
  • 1754Em 9 de junho, a capitania volta à Coroa portuguesa.
  • Séc. XIX-XXO cacau se expande e faz de Ilhéus uma das vilas mais importantes da província.
  • 1881Em 28 de junho, a Lei Provincial 2.187 eleva a vila à condição de cidade, marco do aniversário.
  • 1958Jorge Amado publica Gabriela, Cravo e Canela, romance ambientado em Ilhéus.
  • Anos 1990A vassoura-de-bruxa devasta as lavouras e provoca a crise do cacau.

O cacau, o porto e a terra de Gabriela

O cacau mudou o destino da vila. Plantado na Bahia em 1746, em Canavieiras, segundo o IBGE, expandiu-se na segunda metade do século XIX e fez de São Jorge dos Ilhéus uma das vilas mais importantes da província. Em 1866, o fruto já era a principal fonte de renda do município, com quase 32 mil arrobas vendidas. Para escoar a produção do rio Almada, o engenheiro François Gaston Lavigne, oficial do exército de Napoleão, abriu o canal do Itaípe, por onde as canoas chegavam ao porto.

Em 1870, um núcleo de migrantes do Norte do país se fixou à margem do rio Cachoeira e virou o embrião de Itabuna. A estrada de ferro Ilhéus-Conquista, aberta em 1904, foi danificada por uma enchente em 1914, mas a cidade se recuperou e manteve o peso no comércio do cacau.

A riqueza trouxe o título de cidade, o bispado, em 1913, e levas de sergipanos e nordestinos atraídos por terras para plantar. Palacetes substituíram as casas desalinhadas, e o Palácio Paranaguá, sede da Prefeitura, ficou como marco do período. Em 1920, foram inaugurados a primeira ponte de atracação do porto e o Hospital São José.

Catedral de São Sebastião, no centro de Ilhéus. Foto: Leandro M800, CC0

A Catedral de São Sebastião domina o centro. No século XX, a cidade ganhou ferrovia, porto e aeroporto e passou a sediar a Ceplac e o Instituto de Cacau da Bahia; por volta de 1974, o Distrito Industrial do Iguape recebeu processadoras de amêndoa para exportação. Nos anos 1990, a vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, devastou as lavouras.

O ciclo virou literatura. Jorge Amado, nascido numa fazenda em Itabuna, viveu em Ilhéus desde criança e ambientou ali Gabriela, Cravo e Canela, de 1958, que levou o nome da cidade mundo afora.

Ponte Jorge Amado, sobre a Baía do Pontal. Foto: Leandro M800, CC0

A ponte que leva o nome do escritor cruza a Baía do Pontal.