A data do aniversário de Gravataí lembra o dia em que tomou posse a primeira Câmara de vereadores da cidade, em 23 de outubro de 1880. Com a posse, Gravataí passou a ter governo próprio, separado de Porto Alegre. A cidade nasceu da Aldeia dos Anjos, formada em 1763 por indígenas guaranis vindos das Missões.
Quando é o aniversário de Gravataí e quantos anos a cidade faz?
O aniversário de Gravataí é em 23 de outubro. Em 2027, Gravataí completa 147 anos.
O aniversário de Gravataí é em 23 de outubro porque nesse dia, em 1880, tomou posse a primeira Câmara de vereadores da cidade. A lei da província que separou Gravataí de Porto Alegre tinha sido aprovada quatro meses antes, em 11 de junho de 1880. Bernardo Joaquim Ferreira foi o vereador mais votado e virou o primeiro presidente da Câmara. Na mesma reunião de posse foram nomeados os quatro primeiros funcionários da cidade.
A Câmara de Gravataí guarda também uma data mais antiga, 8 de abril de 1763, o dia oficial da instalação da Aldeia dos Anjos, com mais de mil indígenas guaranis vindos das Missões. Mesmo assim, a contagem dos anos parte de 1880, o ano da posse dos vereadores, e não de 1763, o ano da aldeia.
É feriado no aniversário de Gravataí?
Não, 23 de outubro não é feriado municipal em Gravataí.
Como Gravataí nasceu da Aldeia dos Anjos
As terras compradas para receber a Aldeia dos Anjos (antes de 1763)
No século 18, o rei de Portugal dava terras a quem ocupava o sul do Brasil. Pedro Gonçalves Sandoval, nascido em Lima, no Peru, recebeu as primeiras terras no rincão de Gravataí. O capitão João Lourenço Veloso ganhou outra área perto do Morro Itacolomi, e parte dessas terras foi comprada pelo governo português para receber a Aldeia dos Anjos. A aldeia ficou primeiro num outro ponto e depois mudou para onde hoje fica o centro da cidade.
A chegada dos guaranis das Missões (1750 a 1763)
Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, e pelo acordo os guaranis dos Sete Povos das Missões teriam de deixar as próprias terras. Eles se negaram a sair, e a briga virou a Guerra Guaranítica. Muitos guaranis acabaram acampados perto de Rio Pardo.
Em 1763, o capitão Antônio Pinto Carneiro levou mais de mil desses guaranis para formar a Aldeia dos Anjos, na região de Gravataí. A data oficial da instalação da aldeia é 8 de abril de 1763.
A organização da aldeia pelo governador José Marcelino (1769 a 1814)
Em 29 de dezembro de 1769, o governador José Marcelino de Figueiredo criou oficialmente o Povo de Nossa Senhora dos Anjos e organizou a aldeia. Ele mandou montar teares, construir moinhos de água e abrir uma escola de primeiras letras, e os indígenas aprenderam a plantar trigo. Para pagar a escola dos indígenas da aldeia, o governador criou a Estância dos Povos, uma fazenda com até 12 mil cabeças de gado.
Em 22 de dezembro de 1795, a capela da aldeia virou paróquia oficial, com o nome de Nossa Senhora dos Anjos. Em 1809, a aldeia passou a fazer parte do município de Porto Alegre. Em 1814, os moradores faziam louça de barro, telhas e tijolos e vendiam madeira em Porto Alegre e Rio Pardo.
As carretas de mercadorias e a criação do município (1814 a 1889)
Aos poucos, os indígenas foram saindo da aldeia, e o número de brancos e mestiços cresceu. Mais tarde passou a cruzar o povoado um grande movimento de carretas com mercadorias do Litoral Norte e de Santo Antônio da Patrulha. Esse movimento levou à lei de 11 de junho de 1880, que separou Gravataí de Porto Alegre e criou a vila de Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí.
A primeira Câmara de vereadores tomou posse em 23 de outubro de 1880 e governou a cidade sozinha até a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Em 7 de novembro de 1884, a Câmara entregou 50 cartas de liberdade e declarou que não havia mais pessoas escravizadas na vila, quatro anos antes da Lei Áurea.
A farinha de mandioca e a chegada das indústrias (fim do século 19 a 1997)
No fim do século 19, Gravataí cresceu com a farinha de mandioca, vendida para outras partes do país e para o exterior pelo Passo das Canoas. Nos anos 1930, o prefeito José Loureiro da Silva levou luz elétrica, calçou as ruas e abriu em 1934 a estrada até Porto Alegre.
As primeiras indústrias chegaram nos anos 1960 e 1970, junto com o distrito industrial e a Freeway. Em 17 de março de 1997, a General Motors anunciou sua fábrica na cidade, e a data ficou como um marco para Gravataí, que virou um polo da indústria de máquinas e veículos.
- 1763Mais de mil guaranis vindos das Missões formam a Aldeia dos Anjos.
- 1769O governador José Marcelino de Figueiredo organiza a aldeia como povoado oficial.
- 1795A capela da aldeia vira paróquia oficial de Nossa Senhora dos Anjos.
- 1880Em 23 de outubro, a primeira Câmara de vereadores toma posse e Gravataí ganha governo próprio.
- 1884A Câmara declara que não há mais pessoas escravizadas na vila.
- 1934Fica pronta a estrada que liga Gravataí a Porto Alegre.
- 1997A General Motors anuncia sua fábrica na cidade.
De onde vem o nome Gravataí?
O nome Gravataí vem do guarani e quer dizer rio dos gravatás. Gravatá é uma planta que existia em grande quantidade na região, e hy quer dizer rio. Até o fim do século 19, o nome da cidade se escrevia Gravatahy.
Em 1845, alguns moradores chamavam o mesmo rio de Caraguatahi ou de rio da Aldeia. Quando virou vila, em 1880, o lugar passou a se chamar Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí.
O que visitar no aniversário de Gravataí?
Igreja Matriz Nossa Senhora dos Anjos
A Igreja Matriz leva o nome de Nossa Senhora dos Anjos, a padroeira da antiga aldeia. A igreja atual ficou pronta em 1855, e os primeiros sinos vieram de carreta das antigas Missões.
Museu Municipal Agostinho Martha
O museu fica num sobrado de meados do século 19 que já foi uma fábrica de farinha de mandioca, o produto que fez Gravataí crescer depois de 1880. No museu estão uma moenda e um tear antigo.
Prédio da Prefeitura
O prédio da Prefeitura foi comprado em 1894 para abrigar o governo da cidade, catorze anos depois da posse da primeira Câmara de vereadores. A reforma do prédio terminou em 1996.
Praça Dom Feliciano
A Praça Dom Feliciano, no centro, leva o nome de Feliciano José Rodrigues de Araújo Prates, que nasceu na Aldeia dos Anjos em 13 de julho de 1781. Ele foi o primeiro bispo do Rio Grande do Sul.