Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de Goiânia.

O aniversário de Goiânia, em 24 de outubro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Goiânia, conforme a Lei municipal 6.968/1991.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Um projeto de 180 anos: a longa discussão sobre a mudança da capital goiana

A ideia de tirar a sede do governo da antiga Vila Boa é muito anterior a Goiânia. Em 1753, o governador Dom Marcos de Noronha propôs levar a capital para a região onde fica Pirenópolis. Em 1830, o marechal de campo Miguel Lino de Morais, segundo governador de Goiás no Império, sugeriu levar a capital para a região do Tocantins, perto de Niquelândia.

O pano de fundo era a estagnação. Com o fim do ciclo do ouro, a Cidade de Goiás perdeu o motor econômico que tinha justificado a escolha do lugar. Em 1863, o presidente da província José Vieira Couto de Magalhães retomou o tema no livro Primeira Viagem ao Rio Araguaia, defendendo que a criação de gado e a agricultura valiam mais do que as minas e que manter a capital ali condenaria Goiás à inanição.

A mudança chegou ao texto constitucional sem sair do papel. A Constituição estadual de 1891 e as reformas de 1898 e de 1918 previam a transferência da sede do governo, mas a redação de 1918 mantinha a Cidade de Goiás como capital até que o Congresso decidisse outra coisa. O impasse durou até a década de 1930.

Da Revolução de 1930 à pedra fundamental: o sítio e o projeto

A virada veio com a Revolução de 1930. Nomeado interventor federal, Pedro Ludovico Teixeira fez da mudança um programa de governo, ao lado da abertura de estradas internas e da reforma agrária. O plano seguia a Marcha para o Oeste, política do governo Getúlio Vargas para acelerar a ocupação do Centro-Oeste e ligar a região ao Sul do país.

Em 20 de dezembro de 1932, uma comissão foi criada para escolher o lugar da nova capital. O relatório indicou um sítio nas proximidades do povoado de Campinas, que deu origem ao bairro de mesmo nome. Em 6 de julho de 1933, um decreto de Pedro Ludovico encarregou o urbanista Attílio Corrêa Lima de elaborar o projeto da nova capital.

A pedra fundamental foi lançada em 24 de outubro de 1933, data escolhida em homenagem aos três anos do início da Revolução de 1930. O ponto, definido por Corrêa Lima, fica no altiplano onde está o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica. É esse o marco que a cidade celebra como aniversário.

Antiga Chefatura de Polícia, edifício Art Déco da Praça Cívica. Foto: Larissa Cavalcante Almeida, CC0

O desenho ainda passaria por outra mão. O urbanista Armando Augusto de Godoy, formado na Suíça e na França, de onde acabara de voltar, reformulou o projeto, com o parcelamento do Setor Oeste e mudanças no arruamento do Setor Sul, e assinou o plano diretor em 1935. O centro ganhou avenidas radiais a partir da Praça Cívica e um conjunto de prédios em estilo Art Déco.

Transferência, batismo cultural e o patrimônio Art Déco

Entre o marco de 1933 e a inauguração oficial passaram-se nove anos. A transferência efetiva da capital veio em 1937. O chamado batismo cultural, com a posse simbólica da cidade, só aconteceu em 1942, no Teatro Goiânia. Por isso a idade é contada a partir de 1933, mesmo com a festa de inauguração quase uma década depois.

Linha do tempo de GoiâniaCinco marcos, de 1930 a 2003, na história de Goiânia.
  • 1930Pedro Ludovico Teixeira assume como interventor de Goiás e defende a mudança da capital; Projeto urbanístico de Attílio Corrêa Lima, ajustado depois por Armando Augusto de Godoy.
  • 1933Lançamento da pedra fundamental, em 24 de outubro.
  • 1937Transferência oficial da capital da Cidade de Goiás para Goiânia.
  • 1942Batismo cultural, com a posse simbólica da cidade no Teatro Goiânia.
  • 2003Conjunto Art Déco do centro reconhecido como patrimônio.

A herança do projeto ficou de pé. A Avenida Goiás, o Teatro Goiânia e o entorno da Praça Cívica reúnem fachadas Art Déco do plano original, e o conjunto foi reconhecido como patrimônio a partir de 2003, com inscrição posterior nos livros do tombo.

Teatro Goiânia, marco Art Déco inaugurado em 1942. Foto: Eliane de Castro, CC BY-SA 4.0

No centro e nos bairros vizinhos, alguns endereços contam essa trajetória. O Bosque dos Buritis, parque tradicional da cidade, abriga o Museu de Arte de Goiânia e fica perto do Lago das Rosas. O Mercado Central reúne gastronomia regional e artesanato e é conhecido pela empada goiana. A Feira Hippie se firmou como feira de moda, atacado e variedades, e o Monumento às Três Raças, na Praça do Trabalhador, é outra referência do centro.

Com o tempo, a capital virou entreposto do agronegócio do Centro-Oeste e ganhou fama pela arborização, com parques como o Bosque dos Buritis, o Vaca Brava e o Flamboyant. Daí os apelidos de Capital Verde e de Capital do Cerrado, bioma em que a cidade está. Goiânia também firmou identidade na música sertaneja e na cena de rock independente, e forma com Aparecida de Goiânia um tecido urbano contínuo. Quem nasce na cidade é goianiense.