O aniversário de Garanhuns, em 4 de fevereiro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Garanhuns, conforme a Lei Municipal 4.752/2021.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do Sítio do Garcia à cidade de 1879: a história do 4 de fevereiro

As primeiras entradas nas terras de Garanhuns remontam ao século XVII. Segundo o histórico municipal reunido pelo IBGE, a serra era habitada por um ramo dos cariris, e o povoamento começou com brancos e negros que fugiam do domínio holandês e da escravidão. Novos grupos de escravizados foragidos se estabeleceram depois nos brejos, em aldeamentos esparsos.

Em 1658, o mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, o capitão Cosmo de Brito Cação, Antônio Fernandes Aranha e Ambrósio Aranha de Farias receberam do governador André Vidal de Negreiros uma sesmaria de 20 léguas, em dois lotes, um nos campos dos Garanhuns e outro no Panema. No primeiro foi fundada a fazenda Sítio do Garcia, no lugar onde fica a sede do município.

Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro histórico. Foto: A. Júnior, CC BY 2.0

A povoação se formou sobre o planalto da Borborema, a cerca de 840 metros de altitude no centro. O nome divide os estudiosos. O professor João de Deus Oliveira Dias o liga à tribo que habitava a serra e a duas aves do vale do rio Mundaú, o guará vermelho e o anum preto. Já Mário Melo, na Toponímia Pernambucana, registra a forma Guirá-nhum, os pássaros pretos. O histórico do IBGE acrescenta que os índios carijós de Águas Belas conheciam Garanhuns como Claiô, forma que no dialeto iatê quer dizer não branco, escuro.

Linha do tempo de GaranhunsSete marcos, de 1658 a 2018, na história de Garanhuns.
  • 1658Sesmaria nos campos dos Garanhuns e fundação do Sítio do Garcia.
  • 1670O sítio é destruído por quilombolas e passa a se chamar Tapera.
  • 1699Garanhuns vira sede da Capitania do Sertão de Ararobá.
  • 1811Em 10 de março, carta régia eleva a povoação à condição de vila.
  • 1879Em 4 de fevereiro, Garanhuns é elevada à categoria de cidade.
  • Década de 1990Criação do Festival de Inverno de Garanhuns.
  • 2018A Lei 13.651 cria a UFAPE, com sede em Garanhuns.

Palmares, a Tapera e a doação de Simoa Gomes

A fazenda não durou muito na primeira forma. Por volta de 1670, foi destruída por quilombolas de mocambos como Curica Zumbi e Alto do Magano, ligados a Palmares, e passou a ser chamada de Tapera do Garcia, depois só Tapera. A Guerra dos Palmares manteve as fazendas sob ameaça constante, e muitos proprietários as abandonaram.

Com o fim dos últimos redutos, em 1696, a região se recuperou depressa. Em 1699, uma carta régia criou julgados em freguesias do sertão, e Garanhuns passou a ser sede da Capitania do Sertão de Ararobá, nome dado à zona entre Cimbres e o Pajeú.

Em 1704, a Tapera foi comprada pelo coronel Manoel Pereira de Azevedo. Anos depois, viúva, Simoa Gomes de Azevedo assumiu a administração, e em torno dela se mistura lenda e história. A ela se deve a doação de meia légua em quadro à Confraria das Almas da Matriz, terreno onde a cidade foi construída.

Relógio das Flores. Foto: Patrick-br, CC BY-SA 3.0

A criação da vila de Cimbres, em 1762, tirou de Garanhuns a sede da capitania, e o lugar ficou como sede da freguesia de Santo Antônio de Garanhuns. O padroeiro é lembrado em 13 de junho. A fertilidade do solo e a qualidade das águas mantiveram o crescimento, e em 1796 a freguesia virou sede de vicariato.

Vila, cidade e o frio que virou festival

A autonomia chegou no começo do século XIX. Uma carta régia de 10 de março de 1811 elevou Garanhuns à categoria de vila, instalada em 17 de dezembro de 1813. Em 4 de fevereiro de 1879, a vila foi elevada à categoria de cidade, e é essa data que a cidade comemora como aniversário.

O território já foi bem mais extenso. Em 1958 saíram São João e Brejão, e em 1963 Paranatama e Caetés, onde nasceu o ex-presidente Lula. Na própria cidade nasceu, em 1941, o sanfoneiro Dominguinhos.

A divisão interna também trocou de nome várias vezes. Em 1848, a Lei Provincial 204 criou o distrito de Correntes, que se separou em 1879, mesmo ano em que Garanhuns virou cidade. Em 1908, a Lei Municipal 42 criou os distritos de Brejão de Santa Cruz e Segismundo Gonçalves. Em 1938, São Caetano passou a se chamar Caetés e São José de Baraúnas virou Miracica, e em 1943 São Vicente Ferrer ganhou o nome de Iratama. Iratama, Miracica e São Pedro permaneceram como distritos de Garanhuns nas divisões territoriais seguintes.

A altitude define o clima. Ao contrário de boa parte do sertão, em Garanhuns a chuva se concentra no outono e no inverno, e os meses de junho a agosto são os mais frios. Esse frio de serra virou vocação: desde a década de 1990, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) ocupa a cidade em julho com música, teatro, dança e artes.

Parque dos Eucaliptos, área verde de Garanhuns. Foto: MTur Destinos, Domínio público

A cidade se firmou como polo de educação, saúde e serviços do agreste meridional e como produtora de leite e queijo coalho. A unidade acadêmica da UFRPE deu origem à Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), criada pela Lei 13.651, de 2018.