O aniversário de Formosa, em 1º de agosto, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Formosa, conforme a Lei Municipal 188/2003.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do Arraial dos Couros a Formosa da Imperatriz: a história do 1º de agosto

Formosa começou como ponto de passagem. Em fevereiro de 1736, por ordem do rei de Portugal, foi instalada a Estação Fiscal do Registro da Lagoa Feia, para cobrar o tributo sobre as mercadorias que cruzavam o sertão de Goiás, sobretudo o ouro. Goiás pertencia então à capitania de São Paulo, e a Coroa temia a saída do metal sem o pagamento do quinto.

O povoado que nasceu perto do posto recebeu o nome de Arraial dos Couros. As primeiras casas, segundo o histórico da Prefeitura, foram erguidas por moradores que fugiam das febres que atingiam o Arraial de Santo Antônio do Itiquira, na barra do Rio Itiquira com o Paranã. Tropeiros e comerciantes vindos da Bahia e de Minas Gerais passaram a acampar ali para evitar o lugar doente.

A origem do nome Couros tem duas versões. Uma liga o arraial às barracas de couro dos viajantes; outra, registrada por Luiz Cruls, chefe da Comissão Exploradora do Planalto Central, aponta o comércio de couro de animais silvestres. Viajantes como Saint-Hilaire e Pohl, que cruzaram Goiás no século XIX, também descreveram o negócio do couro na comarca de Santa Luzia, a atual Luziânia.

Linha do tempo de FormosaCinco marcos, de 1736 a 1960, na história de Formosa.
  • 1736Posto fiscal no Planalto Central, no caminho do ouro e do gado, na origem do povoado.
  • 1767Primeira missa na Casa de Oração de Couros.
  • 1843Em 1º de agosto, elevação a vila com o nome de Formosa da Imperatriz, pela Lei Provincial 1.
  • 1877Elevação à condição de cidade.
  • Anos 1960A criação de Brasília faz de Formosa uma cidade do entorno do DF.

A fé chegou cedo. Em 1767, o padre Antônio Francisco de Melo celebrou a primeira missa na Casa de Oração de Couros, e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição se tornou referência do povoado. A padroeira é celebrada em 8 de dezembro, data diferente do aniversário.

A vila da Imperatriz e o sonho da capital

O 1º de agosto, data do aniversário, vem de uma lei do Império. Nesse dia, em 1843, a Lei Provincial 1 elevou o arraial a vila, separada de Santa Luzia, com o nome de Vila Formosa da Imperatriz, que com a República passou a ser simplesmente Formosa. A vila foi instalada em 22 de fevereiro de 1844, e o histórico do IBGE aponta Lázaro de Melo Álvares como o primeiro a chefiar a administração local.

A vila nasceu com dois distritos, a sede e Santa Rosa, ambos tirados de Santa Luzia. O desenho mudou algumas vezes: a Lei Municipal 70, de 23 de janeiro de 1912, extinguiu Santa Rosa e anexou o território à sede, e a Lei 10, de 22 de maio de 1924, recriou o distrito. O vaivém mostra como a divisão do sertão goiano ainda se ajustava no começo da República.

Salto do Itiquira, com 168 metros de queda livre. Foto: Adelano Lázaro, Domínio público

Em 1877, a Lei Provincial 574 deu a Formosa a condição de cidade. No mesmo ano passou por ali o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro, que defendia desde 1849 levar a capital do Brasil para o interior. Ele percorreu a região entre as lagoas Feia, Formosa e Mestre d'Armas e a apontou como a mais adequada para a nova sede do governo.

A visita deixou na cidade a convicção de que a capital um dia chegaria. Em 1892, a Comissão Exploradora do Planalto Central, chefiada por Cruls, voltou à região para demarcar o quadrilátero da futura capital federal. Até o começo do século XX, porém, Formosa manteve o desenho de cidade pequena do interior, com casario baixo e ruas cercadas de brejos.

O jardim do centenário, Brasília e a área do Exército

A transformação urbana veio em duas ondas. Nas décadas de 1920 e 1930, a cidade abriu e alargou ruas, saneou brejos e construiu o jardim centenário, a Praça Rui Barbosa, conhecida como praça do coreto. Foi o primeiro surto de crescimento, ainda com a cidade presa ao casario antigo.

A segunda onda chegou com Brasília. A partir dos anos 1950, com a construção da capital a cerca de 75 quilômetros, vieram o asfalto, a ocupação de áreas úmidas e a migração intensa. Parte dos casarões dos séculos XIX e XX foi derrubada, e a cidade passou a integrar o entorno do Distrito Federal, ligada à capital pela BR-020.

Cachoeira no Parque Municipal de Formosa. Foto: thejourney1972 (Flickr), CC BY 2.0

Em 1974, 1.297 proprietários de fazendas, chácaras e sítios entregaram ao Exército Brasileiro uma área de 1.040 km², transformada em área de segurança nacional para a proteção da nova capital. Muitas famílias foram para a periferia urbana, onde surgiram as vilas Vicentina e Beneditina, os bairros São Vicente e São Benedito. A presença militar entrou de vez na identidade de Formosa.

O cerrado em volta deu à cidade a fama de terra das cachoeiras. O Salto do Itiquira, com 168 metros de queda livre, fica num parque a poucos quilômetros do centro, e o Buraco das Araras, depressão de cerca de 105 metros, abriga aves do cerrado. A Lagoa Feia, que deu nome ao posto fiscal de 1736, segue cercada de lendas locais.