O aniversário de Codó, em 16 de abril, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Codó.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Do Vale do Itapecuru à ferrovia e ao terecô: a história de Codó
O ano de 1780 marca o início do povoamento de Codó, no Vale do Itapecuru, no leste do Maranhão. A economia nasceu agrícola, nas mãos de portugueses e de senhores da aristocracia rural maranhense, com lavouras de algodão e de subsistência, pecuária e cana ao longo do rio, que servia de caminho para escoar a produção.
O histórico oficial do município cita entre os primeiros exploradores o agricultor Luís José Rodrigues e o português Francisco Marques Rodrigues. O povoamento teve também a participação de africanos escravizados nas lavouras, de indígenas Barbados e Guanarés e, mais tarde, de imigrantes sírios e libaneses, que chegaram a partir de 1887 e deixaram marca no comércio da cidade.
A ocupação foi disputada. Os indígenas Barbados, Guanarés e Urubus resistiram à chegada dos colonos, e em 1719 o jesuíta João Villar, enviado para catequizar e pacificar a região, foi morto às margens do rio Codozinho. A tradição local aponta o comendador português conhecido como Pau Real como um dos primeiros agricultores, dono de um armazém de madeira e mantimentos junto ao Porto do Balão.
Francisco Marques Rodrigues trouxe agricultores portugueses para a Colônia Petrópolis, uma das bases da lavoura local. A partir de 1870, a derrubada das matas para o comércio de madeira atraiu mais colonos, que chegavam em barcos pelo Itapecuru.
A origem do nome tem mais de uma versão. O historiador Augusto César Marques, no Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, liga a palavra ao rio Codó, antigo nome do Codozinho. Outra versão, repetida de geração em geração, associa o nome à codorna, ave que teria sido comum na região.
No período colonial e no Império, Codó se destacou pela produção de algodão, base da participação do município na industrialização do Maranhão. A primeira indústria local, a Companhia Manufatureira e Agrícola, foi construída em 1892 por Emílio Lisboa, e o controle dela passou depois para Sebastião Archer.
- 1719O jesuíta João Villar é morto às margens do rio Codozinho.
- 1780Início do povoamento no Vale do Itapecuru, com lavouras de algodão e pecuária.
- 1833Resolução Régia eleva a povoação de Urubu à condição de vila, em 19 de abril.
- 1838Lei Provincial 68 transfere a sede da vila de Urubu para Codó.
- 1892Construção da Companhia Manufatureira e Agrícola, primeira indústria do município.
- 1896Lei Estadual 133 eleva Codó a cidade, em 16 de abril.
- Início do séc. XXA ferrovia São Luís-Teresina cruza o município.
- 1948Criação dos distritos de Codozinho e São Raimundo de Codó.
De Urubu a Codó: a vila que mudou de sede
A organização administrativa começou com outro nome. Uma Resolução Régia de 19 de abril de 1833 elevou à categoria de vila a povoação de Urubu, e a Lei Provincial 13, de 1835, criou o distrito com essa denominação. Codó ainda era uma povoação vizinha dentro do mesmo termo.
Em 1838, a Lei Provincial 68 transferiu a sede da vila de Urubu para Codó. A mudança fez do povoado do Itapecuru o centro político do território. Meio século depois, a Lei Estadual 133, de 16 de abril de 1896, elevou Codó à condição de cidade, e é essa a data que o município adota como aniversário.
Antes disso, a vila já tinha peso regional. Sediava o 22º Batalhão da Guarda Nacional e o comando superior da corporação, e abrigava um consulado de Portugal, representado por José Joaquim Ferreira Machado, para cuidar dos negócios dos colonos portugueses. Em 1900, o futuro presidente Afonso Pena passou pela cidade a bordo do vapor São Salvador, a caminho de Caxias. O comércio dependia dos navios gaiolas e batelões que subiam o Itapecuru com querosene, sal, café e tecidos.
O território passou por idas e vindas no começo do século XX. Na divisão de 1911, Codó tinha dois distritos, a sede e Monte Alegre. Monte Alegre virou município em 1920, voltou a Codó em 1931 e se separou de novo em 1935. Em 1943 foi criado o distrito de Dom Pedro, emancipado em 1952.
Em 1948, a Lei Estadual 269 criou os distritos de Codozinho e São Raimundo de Codó. Desde a divisão de 1960, o município é formado pela sede e por esses dois distritos. As padroeiras, Santa Rita e Santa Filomena, são celebradas na Igreja Matriz em datas próprias, diferentes do 16 de abril.
A ferrovia, os terreiros e o terecô
No início do século XX, a ferrovia São Luís-Teresina passou a cruzar o município. A linha firmou Codó como entreposto de cargas entre o litoral maranhense e o Piauí, e a ligação com Teresina, a cerca de 170 km, segue mais forte no dia a dia do que com São Luís, a cerca de 300 km.
A presença africana nas lavouras do Itapecuru deixou herança religiosa. Ao longo do século XX, o terecô, religião afro-maranhense, firmou presença em Codó, com festas que atraem visitantes de outros estados.
A tradição de matriz africana convive com a devoção católica às padroeiras e com a herança árabe do comércio.
Codó conta com um polo do IFMA, que ampliou a oferta de ensino técnico e superior e reforçou o papel da cidade como polo de comércio, serviços e educação no Vale do Itapecuru. Quem nasce na cidade é codoense.