O aniversário de Caruaru, em 18 de maio, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Caruaru.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da sesmaria no caminho das boiadas à Feira de Caruaru: a história do 18 de maio
Caruaru nasceu no caminho do gado. Em 1681, o governador Aires de Souza de Castro concedeu à família Rodrigues de Sá uma sesmaria no Agreste pernambucano, a Fazenda Caruru. A concessão seguia a lógica da política colonial de terras: abrir espaço para a lavoura e a criação de gado longe da faixa açucareira do litoral.
A fazenda passou anos abandonada. Só em 1776 José Rodrigues de Jesus decidiu voltar às terras do pai, e pouco depois da morte do patriarca a propriedade ganhou uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Em volta dela foi se juntando um pequeno povoado, ponto de parada de tropeiros e boiadas que cruzavam o Agreste.
Onde as rotas do gado se cruzavam, surgiu a troca. A feira que se formou ali fez o povoado crescer e deu a Caruaru a vocação comercial que marcaria a sua história. Em 1846 foi lançada a pedra fundamental da Capela de Nossa Senhora das Dores, devoção da padroeira, celebrada em 15 de setembro.
De vila desmembrada de Bonito à lei de 18 de maio de 1857
A autonomia veio em duas etapas, com menos de uma década entre elas. A Lei Provincial 212, de 16 de agosto de 1848, elevou o povoado à categoria de vila, desmembrada do município de Bonito. A instalação aconteceu em 16 de setembro de 1849, e Caruaru passou a ter Câmara própria. Antes disso, o povoado funcionava como distrito de paz subordinado a Bonito.
O passo seguinte começou na Assembleia Provincial. O deputado Francisco de Paula Baptista apresentou o projeto nº 20, que elevava a vila a cidade, e o defendeu em primeira discussão em 3 de abril de 1857. A proposta foi aprovada sem debate e virou a Lei Provincial 416, assinada em 18 de maio de 1857 pelo vice-presidente da província, Joaquim Pires Machado Portela.
É essa assinatura que o município adota como aniversário. Caruaru tornou-se uma das primeiras cidades do Agreste pernambucano, e a data não se confunde com a festa de São João, que movimenta a cidade em junho. Em 1948, a criação da Diocese elevou a antiga Matriz de Nossa Senhora das Dores a catedral.
- 1681Sesmaria concedida à família Rodrigues de Sá, na Fazenda Caruru, no caminho das boiadas.
- 1776José Rodrigues de Jesus volta à Fazenda Caruru, que ganha capela de Nossa Senhora da Conceição.
- 1846Pedra fundamental da Capela de Nossa Senhora das Dores.
- 1849Em 16 de setembro, instalação da vila, criada pela Lei Provincial 212, de 1848.
- 1857Em 18 de maio, a Lei Provincial 416 eleva Caruaru à categoria de cidade.
- 1909Nasce em Ribeira dos Campos, no município, Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino.
- 1948Criação da Diocese; a Matriz de Nossa Senhora das Dores vira catedral.
- 2006O IPHAN registra a Feira de Caruaru como patrimônio cultural imaterial do Brasil.
O desenho do município também mudou com o tempo. Em 1911, Caruaru tinha quatro distritos: a sede, Carapotós, São Caetano da Raposa e Antônio Olinto. A Lei Estadual 1.931, de 1928, separou os dois últimos para formar o município de São Caetano. Carapotós chegou a se chamar Riacho Doce na divisão de 1933 e recuperou o nome em 1943. Em 1953, Riacho das Almas, o antigo distrito de Trapiá, criado em 1919, ganhou autonomia, e foram criados os distritos de Gonçalves Ferreira e Lajedo do Cedro.
No fim do século XIX, a cidade ganhou duas peças que mudaram a sua relação com a capital. Em 1893, o major João Salvador dos Santos tornou-se o primeiro prefeito eleito. Em 1896, a linha da Great Western, companhia ferroviária de capital inglês, ligou Caruaru ao Recife e abriu caminho para a saída da produção agrícola do Agreste.
A feira, a canção e o barro do Alto do Moura
A feira que fez o povoado crescer acompanhou a cidade nos séculos seguintes. Luiz Gonzaga gravou A Feira de Caruaru, de Onildo Almeida, canção que lista item por item o que se vende ali e levou o nome da cidade às rádios do país.
Em 2006, o IPHAN registrou a Feira de Caruaru como patrimônio cultural imaterial do Brasil. O registro reconhece não só o comércio, mas o conjunto de ofícios, saberes e trocas que se repete a cada semana. Parte da feira funciona no Parque 18 de Maio, que leva o nome da data do aniversário.
No bairro de Alto do Moura, a 8 quilômetros do centro, Mestre Vitalino (1909-1963), nascido em Ribeira dos Campos, no próprio município, consagrou as figuras de barro que retratam o cotidiano do sertanejo: o retirante, o casamento na roça, o enterro, a banda de pífanos. Peças da escola caruaruense chegaram a ser expostas no Louvre, em Paris.
Os ateliês de famílias de ceramistas mantêm a tradição em Alto do Moura, que funciona ao mesmo tempo como bairro de artesãos e território de memória da arte popular do Nordeste. Ao longo do século XX, Caruaru se firmou como a Capital do Agreste, também chamada de Princesa do Agreste.