O aniversário de Campos dos Goytacazes, em 28 de março, é feriado?

Não, o aniversário de Campos dos Goytacazes não é feriado municipal.

Os feriados municipais de Campos dos Goytacazes são o dia de Santo Amaro (15 de janeiro) e o dia do Santíssimo Salvador, padroeiro (6 de agosto). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

Os Goitacá, os Sete Capitães e a Vila de São Salvador

A planície do rio Paraíba do Sul era terra dos indígenas Goitacá, que dão nome à cidade. Em 28 de agosto de 1536, a região foi cedida a Pero de Góis, com a criação da Capitania de São Tomé, mas a primeira tentativa de colonização fracassou diante da resistência indígena.

Em 19 de agosto de 1627, as terras foram concedidas em sesmaria aos Sete Capitães, processo que expulsou os Goitacá e abriu a ocupação. A partir de 1633 surgiram currais de gado perto da Lagoa Feia e da Ponta de São Tomé, e a pecuária foi a primeira atividade econômica da planície.

Praça Santíssimo Salvador, no centro histórico, junto à catedral. Foto: Rafael Deminicis, CC BY-SA 4.0

Em 1652, monges beneditinos ergueram a capela de São Salvador nas terras de Salvador Correia de Sá e Benevides. Perto dela foi criada, em 29 de maio de 1677, a Vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes, sob o domínio da família do Visconde de Asseca, donatária da capitania.

Linha do tempo de Campos dos GoytacazesSete marcos, de 1627 a 1993, na história de Campos dos Goytacazes.
  • 1627A Capitania de São Tomé é dividida em sesmarias entre os Sete Capitães.
  • 1677Em 29 de maio, fundação da Vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes.
  • 1748Em 21 de maio, revolta liderada por Benta Pereira contra o domínio do Visconde de Asseca.
  • 1835Em 28 de março, elevação a cidade por Lei Provincial.
  • 1883Em 24 de junho, inauguração da iluminação elétrica pública, com Dom Pedro II.
  • 1974Descoberta de petróleo na Bacia de Campos, no campo de Garoupa.
  • 1993Fundação da UENF, com sede na cidade.

Benta Pereira e a revolta contra os Asseca

O domínio dos Asseca sobre a planície foi contestado por décadas, e o conflito explodiu em 1748. Em 21 de maio daquele ano, cerca de 500 moradores da vila de São Salvador se rebelaram para impedir a posse do novo donatário, sob a liderança de Benta Pereira, viúva e matriarca de uma família da terra.

Os revoltosos tomaram a vila e a Câmara. O governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, mandou tropas, que chegaram em 3 de junho e derrotaram o movimento, com prisões e degredos. Em 1751, o Tribunal da Relação da Bahia condenou nove rebeldes, entre eles Mariana de Souza Barreto, filha de Benta Pereira.

O desfecho, porém, favoreceu os moradores. O rei D. José I concedeu perdão a todos em 11 de outubro de 1752, e em 30 de abril de 1753 a Coroa comunicou ao Visconde de Asseca a perda da jurisdição. Benta Pereira morreu em 1760 e virou símbolo da cidade.

O processo que se seguiu ao levante foi longo. O ouvidor Matheus de Macedo concluiu a devassa em 5 de fevereiro de 1749, e em 1750 o Conselho Ultramarino mandou abrir nova investigação depois que os acusados contestaram as acusações. Em 5 de janeiro de 1754, a nomeação de Sebastião da Cunha Coutinho Rangel como capitão-mor marcou o fim do governo dos Asseca na região.

Açúcar, luz elétrica e petróleo

Livre dos donatários, a planície se encheu de canaviais. Nos séculos XVIII e XIX, o açúcar produzido com trabalho escravo dominou a economia: em 1875 a região tinha 245 engenhos, e daí veio o apelido de Capital do Açúcar. Essa riqueza sustentou a elevação a cidade em 28 de março de 1835, por Lei Provincial, a data que Campos comemora como aniversário.

Igreja histórica de São Gonçalo, no distrito de Goytacazes. Foto: Rafael Deminicis, CC BY-SA 4.0

A cidade também teve papel na luta contra a escravidão. Em 17 de julho de 1881, o jornalista Luiz Carlos de Lacerda fundou a Sociedade Campista Emancipadora, e o campista José do Patrocínio se tornou uma das vozes do abolicionismo no país. Outro filho da cidade, Nilo Peçanha, nascido em 1867, presidiu a República entre 1909 e 1910.

Em 24 de junho de 1883, Campos inaugurou a iluminação elétrica pública, com a presença de Dom Pedro II e de cerca de 20 mil pessoas. A Estação da Luz Eléctrica, na Avenida Pedro II, alimentava 39 lâmpadas, e o feito é apontado como pioneiro na América Latina.

A usina termoelétrica tinha 52 kW e deu origem à primeira companhia de eletricidade latino-americana. Na década de 1930, o sistema passou ao controle do governo do estado do Rio de Janeiro. Um dos postes originais segue de pé em frente ao prédio da Receita Federal, na Avenida Rui Barbosa, a Beira-Rio.

O século XX trouxe outra virada, vinda do mar. Em 1974, a descoberta de petróleo na Bacia de Campos, no campo de Garoupa, abriu a era dos royalties. Em 1993 foi fundada a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, a UENF, com sede na cidade.

Sede da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes. Foto: Rafael Deminicis, CC BY-SA 4.0

O patrimônio guarda a era do açúcar. O Solar dos Airizes foi tombado pelo IPHAN em 1940, e o Solar do Visconde de Araruama, no Centro, pelo IPHAN em 1943 e pelo INEPAC em 1987. No litoral, o distrito do Farol de São Tomé conserva o farol de 1882.

Como Campos dos Goytacazes comemora

O 28 de março costuma ter desfile cívico e programação cultural, sem suspensão do expediente.

A programação costuma ser divulgada pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes nas semanas anteriores ao aniversário.