A data do aniversário de Campos dos Goytacazes lembra o dia em que a vila de São Salvador recebeu o título de cidade, em 28 de março de 1835. A decisão foi da Assembleia da província do Rio de Janeiro, que deu à nova cidade o nome de Campos dos Goytacazes.

Quando é o aniversário de Campos dos Goytacazes e quantos anos a cidade faz?

O aniversário de Campos dos Goytacazes é em 28 de março. Em 2027, Campos dos Goytacazes completa 192 anos.

O aniversário de Campos dos Goytacazes é em 28 de março porque nesse dia, em 1835, a vila de São Salvador recebeu o título de cidade. Quem decidiu foi a Assembleia da província do Rio de Janeiro, criada pouco tempo antes, numa lei daquele ano. Na mesma decisão, a nova cidade ganhou o nome de Campos dos Goytacazes. A idade de Campos dos Goytacazes conta a partir de 1835, o ano em que a vila virou cidade.

A vila de São Salvador, porém, é bem mais antiga que o título de cidade. Em 1673 os moradores do povoado criaram a vila por conta própria, em nome do rei. Em 29 de maio de 1677 um juiz de Cabo Frio confirmou o título de vila, em nome do Visconde de Asseca, o dono das terras da região. A lei de 1835 não criou a vila de São Salvador, só trocou o título de vila pelo de cidade.

É feriado no aniversário de Campos dos Goytacazes?

Não, 28 de março não é feriado municipal em Campos dos Goytacazes.

Como Campos dos Goytacazes nasceu na planície do rio Paraíba do Sul

A divisão da planície do Paraíba do Sul para criar gado (1536 a 1633)

Em 1536 o rei de Portugal deu as terras da região a Pero de Góis da Silveira. Ele chegou à foz do rio Paraíba do Sul com algumas famílias de colonos. Os primeiros dois anos foram de paz com os indígenas, mas depois vieram cinco anos de guerra. Os colonos de Pero de Góis desistiram e foram embora para o Espírito Santo.

Praça Santíssimo Salvador, no centro histórico, junto à catedral. Foto: Rafael Deminicis, CC BY-SA 4.0

Em 19 de agosto de 1627 as terras da planície foram divididas entre sete capitães que tinham lutado contra os franceses no Rio de Janeiro. Os sete capitães queriam criar gado, porque perto da Baía de Guanabara as terras já estavam tomadas pela cana. Em 1633 eles construíram os primeiros currais perto da Lagoa Feia.

A criação da vila de São Salvador pelos moradores (1652 a 1678)

Em 1652 surgiu no povoado a capela de São Salvador, que deu o primeiro nome ao lugar, e em 1674 ela ganhou um padre fixo. Em 1673 os moradores decidiram transformar o povoado em vila, em nome do rei. Eles escolheram juízes e vereadores e levantaram uma coluna de pedra, o símbolo de toda vila. Em 1674 o rei deu a região ao Visconde de Asseca, com a condição de que ele criasse duas vilas, uma no interior e outra na foz do rio.

O primeiro lugar da vila de São Salvador ficava longe da margem do rio Paraíba do Sul e não tinha água boa para beber. Os monges beneditinos eram donos das terras perto do rio e aceitaram trocá-las por outras. A vila foi refeita na beira do rio, com uma nova igreja de São Salvador, e é nesse lugar que fica hoje o centro de Campos dos Goytacazes.

As revoltas dos moradores contra a família Asseca (1720 a 1753)

A família Asseca governou as terras da região por quatro gerações e brigou com os moradores da vila de São Salvador. Em 1720 houve uma revolta comandada por Bartolomeu Bueno, e as tropas do governo vieram do Rio de Janeiro para acabar com ela. A revolta mais conhecida aconteceu em 21 de maio de 1748. Nesse dia, Benta Pereira comandou os moradores que atacaram a casa do chefe militar da vila.

Os rebeldes de 1748 foram presos e mandados para a África. Em 1753 o rei tirou a região da família Asseca e a juntou às terras do Espírito Santo. Com isso terminou o governo dos Asseca sobre a vila de São Salvador.

Os canaviais e a volta de Campos ao Rio de Janeiro (1753 a 1833)

No começo do século 19 quase toda a planície estava dividida entre quatro grandes fazendas, cobertas de canaviais. Os donos dessas fazendas eram os jesuítas, os beneditinos, a família Asseca e a família Maldonado. Em 1832 uma lei separou a vila de São Salvador do Espírito Santo e a juntou ao Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 1833, uma cheia do rio Paraíba do Sul fez grandes estragos na vila.

O açúcar e a luz elétrica depois do título de cidade (1835 a 1883)

Dez anos depois do título de cidade, as ruas principais de Campos dos Goytacazes tinham calçamento, e todas eram iluminadas à noite com candeeiros. A cidade passava de 1.500 casas, quase todas térreas. Pelo porto do rio saíam açúcar, café e aguardente para o Rio de Janeiro. Em 1875 a região tinha 245 engenhos de açúcar, e a primeira usina, a Usina Central do Limão, ficou pronta por volta de 1879.

O imperador Dom Pedro II visitou Campos dos Goytacazes quatro vezes. Numa dessas visitas, em 24 de junho de 1883, ele assistiu à inauguração da iluminação pública elétrica da cidade, a primeira da América Latina. Uma pequena usina gerava a energia para 39 lâmpadas de rua.

Igreja histórica de São Gonçalo, no distrito de Goytacazes. Foto: Rafael Deminicis, CC BY-SA 4.0

A troca do açúcar pelo petróleo (século 20)

Ao longo do século 20 o açúcar de Campos dos Goytacazes perdeu espaço para o de São Paulo, e muitas usinas fecharam. A nova fonte de renda veio do mar, com o petróleo encontrado na Bacia de Campos. A Bacia de Campos leva no nome a cidade que nasceu como vila de São Salvador.

Linha do tempo de Campos dos GoytacazesSete marcos, de 1627 a 1974, na história de Campos dos Goytacazes.
  • 1627As terras da planície são divididas entre sete capitães que querem criar gado.
  • 1652Salvador Correia de Sá e Benevides ergue a capela de São Salvador, que dá o primeiro nome ao lugar.
  • 1677Em 29 de maio, um juiz de Cabo Frio confirma São Salvador como vila.
  • 1748Em 21 de maio, Benta Pereira comanda a revolta dos moradores contra a família Asseca.
  • 1835Em 28 de março, a vila ganha o título de cidade e o nome Campos dos Goytacazes. É a data do aniversário.
  • 1883Em 24 de junho, Campos acende a primeira iluminação pública elétrica da América Latina.
  • 1974A descoberta de petróleo no mar, na Bacia de Campos, traz uma nova fonte de renda.

De onde vem o nome Campos dos Goytacazes?

O nome Campos dos Goytacazes junta a planície e o povo que vivia nela. Campos era a planície aberta na beira do rio Paraíba do Sul, onde as terras baixas davam arroz e pasto para o gado. Goytacazes lembra os indígenas goitacá, que viviam na planície antes dos portugueses. A palavra vem do tupi antigo guaitaka e pode querer dizer "grandes corredores" ou "gente que sabe nadar".

Antes de 1835, o lugar se chamava vila de São Salvador. Esse nome veio da capela que Salvador Correia de Sá e Benevides mandou construir em 1652 e dedicou ao santo do próprio nome. O Santíssimo Salvador continua sendo o padroeiro de Campos dos Goytacazes.

O que visitar no aniversário de Campos dos Goytacazes?

Praça São Salvador

A Praça São Salvador fica no centro, no lugar para onde a vila de São Salvador se mudou, na beira do rio. No fim do século 19 a praça reunia a igreja matriz, a Câmara, a igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens e o hospital da Santa Casa. Era o largo principal da cidade que recebeu o título em 1835.

Poste da primeira luz elétrica

Um dos postes da iluminação elétrica inaugurada por Dom Pedro II em 1883 continua de pé no centro. Ele fica em frente ao prédio da Receita Federal.

Liceu de Humanidades

O Barão da Lagoa Dourada construiu um palácio para ser a casa do presidente da província quando Campos dos Goytacazes virasse capital do Rio de Janeiro. Campos dos Goytacazes não virou capital, e o palácio passou a abrigar o Liceu de Humanidades, escola onde estudou Nilo Peçanha. Hoje as aulas ficam em prédios ao lado, e o palácio é um centro cultural tombado pelo patrimônio do estado.

Monumento a Benta Pereira

O monumento fica no Jardim São Benedito, na Praça Nilo Peçanha, e traz um retrato de Benta Pereira. Ela comandou a revolta dos moradores da vila de São Salvador contra a família Asseca, em 1748.