O aniversário de Campinas, em 14 de julho, é feriado?

Não, o aniversário de Campinas não é feriado municipal.

Os feriados municipais de Campinas são o Corpus Christi (27 de maio de 2027) e o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira (8 de dezembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

A freguesia e o café: do pouso de tropeiros à Princesa do Oeste

O aniversário lembra a criação da freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso, em 14 de julho de 1774, por iniciativa de Francisco Barreto Leme, com a primeira missa rezada por frei Antônio de Pádua Teixeira. Antes disso, o lugar era um bairro rural da Vila de Jundiaí, numa área com milhares de anos de presença indígena.

O povoado nasceu de um pouso de tropeiros na Estrada dos Goiases, trilha aberta por paulistas entre 1721 e 1730 rumo às minas recém-descobertas em Goiás. O pouso ficava em pequenos descampados, os campinhos, no meio de mata fechada, e daí veio o nome Campinas do Mato Grosso. O pouso estimulou atividades de abastecimento das tropas e atraiu moradores: em 1767, o bairro reunia 185 pessoas.

Na segunda metade do século XVIII chegaram fazendeiros de Itu, Porto Feliz e Taubaté em busca de terras para cana e engenhos de açúcar, tocados com mão de obra escravizada. Foi por interesse deles e do governo da Capitania de São Paulo que o bairro rural virou freguesia.

Em 1797, por portaria de 4 de novembro, o povoado foi elevado a vila com o nome de Vila de São Carlos, desmembrada de Jundiaí e instalada em 14 de dezembro. Pela lei de 5 de fevereiro de 1842, recebeu o título de cidade e o nome de Campinas, quando o café já tomava o lugar da cana.

A Estação Cultura, antiga estação ferroviária da Companhia Paulista. Foto: FML, CC BY-SA 2.5

Os cafezais nasceram dentro das fazendas de cana e renderam à cidade o apelido de Princesa do Oeste. Em 1872 chegou a ferrovia da Companhia Paulista, que fez de Campinas um nó ferroviário. A estação de 1884 foi preservada com o nome de Estação Cultura.

A febre amarela e a reconstrução

O ciclo do café concentrou na cidade um grande número de trabalhadores escravizados e livres, nas fazendas e nas atividades urbanas. Esse crescimento foi interrompido pela febre amarela, que voltou em surtos de 1889 a 1897 e esvaziou Campinas a ponto de render o apelido de Cidade Morta.

A resposta veio da engenharia sanitária. Em 1896, o governo enviou à cidade o sanitarista Emílio Ribas e o engenheiro Saturnino de Brito, que conduziram obras de drenagem para eliminar os criadouros do mosquito. Em 1897, Campinas foi declarada livre da epidemia.

A recuperação veio com outra base econômica. A crise do café, a partir de 1930, empurrou a cidade agrária para a indústria e os serviços. Em 1938, o Plano Prestes Maia reordenou o desenho urbano, com ações pensadas para as vocações da cidade, entre elas a de polo tecnológico do interior paulista.

Nas décadas de 1930 e 1940, migrantes e imigrantes italianos, alemães, portugueses, espanhóis e japoneses chegaram atraídos pelas fábricas e agroindústrias, e novos bairros cresceram perto delas e das rodovias. A Via Anhanguera foi aberta em 1948, a Rodovia dos Bandeirantes em 1979 e a Rodovia Santos Dumont nos anos 1980.

O território também mudou. Valinhos, Vila Americana e Cosmópolis já foram distritos de Campinas; a Vila Americana foi a primeira a se separar, em 1924, e deu origem ao município de Americana.

Linha do tempo de CampinasSeis marcos, de 1774 a 2018, na história de Campinas.
  • 1774Em 14 de julho, fundação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas, por iniciativa de Francisco Barreto Leme.
  • 1797Elevação a vila, com o nome de Vila de São Carlos.
  • 1872Chegada da ferrovia da Companhia Paulista.
  • 1889Começam os surtos de febre amarela que esvaziam a cidade, até 1897.
  • 1966Pedra fundamental da Unicamp, lançada pelo reitor Zeferino Vaz.
  • 2018Inauguração do Sirius, no CNPEM.

A cidade da ciência

A vocação tecnológica apontada pelo plano urbano de 1938 ganhou corpo com a universidade. Em 1966, o reitor Zeferino Vaz lançou a pedra fundamental da Unicamp, que levou para a cidade laboratórios, pesquisadores e empresas ligadas à pesquisa.

A ciência, porém, já tinha endereço na cidade antes disso. Em 1887 foi criado o Instituto Agronômico, o IAC, dedicado à pesquisa agrícola no auge do café. Depois da Unicamp, a cidade recebeu o CPqD, centro de pesquisa em telecomunicações, e o setor de tecnologia e serviços cresceu nos anos 1990 e 2000.

Em 2018, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, inaugurou o Sirius, fonte de luz síncrotron instalada em Campinas.

Cada fase deixou marcas na paisagem. No centro ficam a Catedral Metropolitana e o Teatro Municipal José de Castro Mendes; o Bosque dos Jequitibás foi o primeiro bem tombado da cidade, em 1970. Longe do centro, outra construção chama a atenção pela forma.

A Torre do Castelo, torre-caixa d'água em estilo art déco. Foto: Fasouzafreitas, CC BY-SA 3.0

A Torre do Castelo é uma torre-caixa d'água em estilo art déco. Ela, a estação da Paulista e os prédios do centro contam juntos as fases da cidade: a do café, a da ferrovia e a da indústria.