A data do aniversário de Campina Grande lembra o dia em que a vila virou cidade, em 11 de outubro de 1864. A mudança veio por uma lei da província da Paraíba, que trocou o nome oficial de Vila Nova da Rainha por Campina Grande.

Quando é o aniversário de Campina Grande e quantos anos a cidade faz?

O aniversário de Campina Grande é em 11 de outubro. Em 2027, Campina Grande completa 163 anos.

O aniversário de Campina Grande é em 11 de outubro porque nesse dia, em 1864, uma lei da província da Paraíba transformou a vila em cidade. A mesma lei deu ao lugar o nome oficial de Campina Grande. Desde 1790, quando o povoado virou vila, o nome oficial era Vila Nova da Rainha, em homenagem à rainha Dona Maria I, de Portugal. Por isso a idade de Campina Grande conta a partir de 1864, e não de 1697, ano da aldeia que deu origem à cidade.

Apesar do nome oficial Vila Nova da Rainha, os moradores continuaram a chamar o lugar de Campina Grande. O historiador Irineu Joffily escreveu em 1892 que o nome oficial desapareceu e ficou o antigo, Campina, pelo qual o lugar sempre foi conhecido. Ou seja, a lei de 11 de outubro de 1864 tornou oficial o nome que o povo já usava. A antiga Vila Nova da Rainha virou só o nome de uma rua de Campina Grande.

É feriado no aniversário de Campina Grande?

Sim, 11 de outubro é feriado municipal em Campina Grande.

O que abre e fecha no feriado em Campina Grande?

  • Bancos: as agências costumam fechar; aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos funcionam (Febraban).
  • Repartições municipais: costumam fechar, com plantão nos serviços essenciais.
  • Comércio e shoppings: o horário de feriado varia de loja para loja; vale conferir no site do shopping ou da loja.
  • Transporte público: costuma operar com horário de feriado, que muda de cidade para cidade.
  • Saúde e serviços essenciais: hospitais e pronto-atendimentos atendem as urgências; polícia e bombeiros trabalham em regime de plantão.

Como é comemorado o aniversário de Campina Grande?

No dia 11 de outubro, a Prefeitura de Campina Grande costuma abrir o Museu Histórico e o Museu do Algodão para visitas com guia. Os dois museus são mantidos pela Secretaria de Cultura do município. O Museu Histórico mostra a exposição fixa chamada Aldeia, Vila, Cidade.

Como a aldeia da Serra da Borborema se tornou a cidade de Campina Grande

A parada de Teodósio de Oliveira Ledo que deu origem à aldeia de Campina Grande (1697 a 1701)

Em 1697, o capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo voltava do vale do rio Piranhas, no sertão, rumo à capital da Paraíba. Ele levava um grupo de indígenas Ariús, que eram aliados dele. No alto da Serra da Borborema, o grupo parou numa campina verde para descansar. Teodósio gostou do lugar e deixou os Ariús ali, ao lado de uma aldeia dos indígenas Cariris.

O Açude Velho, reservatório histórico de Campina Grande. Foto: Abdias Jr, CC BY 2.0

Em 1698, o governador da Paraíba, Manuel Soares de Albergaria, mandou à aldeia um frade do Convento de Santo Antônio para ensinar a religião católica aos indígenas. Numa carta ao rei de Portugal, de maio de 1699, o mesmo governador contou que os Ariús viviam junto dos Cariris, no lugar chamado Campina Grande. Em 1701, uma ordem do rei mandou erguer uma capela na aldeia e pagar o padre.

A escolha do povoado de Campina Grande para virar vila (1769 a 1790)

O povoado ficava entre o alto sertão e o litoral, numa terra boa para plantar mandioca, milho e outros cereais. Por isso cresceu rápido e, em 1769, ganhou paróquia própria, a de Nossa Senhora da Conceição. Até então, os moradores dependiam da paróquia de Nossa Senhora dos Milagres, em São João do Cariri.

Em 1790, o ouvidor Brederode, juiz enviado pela Coroa portuguesa, escolheu Campina Grande para virar vila. Segundo a história da cidade, pesaram a terra mais rica e a posição do povoado entre o litoral e o sertão. Em 20 de abril de 1790, Campina Grande virou vila com o nome oficial de Vila Nova da Rainha e ganhou câmara de vereadores e cartório. Três dos quatro primeiros vereadores e juízes da vila eram da família Oliveira Ledo. Esse foi o passo anterior ao de 11 de outubro de 1864, quando a lei da província transformou a vila em cidade.

A estrada e as feiras da vila até virar cidade (1790 a 1864)

A vila ficava na estrada que ligava o sertão da Paraíba e do Rio Grande do Norte à capital da província e ao Recife. O historiador Irineu Joffily escreveu em 1892 que Campina Grande foi, nos primeiros tempos, a única parada dessa estrada no alto da Borborema. Por ali passavam boiadas e tropas de burros com carga, e a vila virou ponto de troca de gado e de farinha entre o litoral e o sertão. Na época de Joffily, as grandes feiras de gado e de comida aconteciam de quinta-feira a sábado.

Mesmo assim, segundo Joffily, a vila passou mais de 60 anos sem progresso notável. O crescimento veio a partir de 1860, e em 1864 o lugar já tinha cerca de trezentas casas. Em 11 de outubro de 1864, a lei da província transformou a vila em cidade, com o nome de Campina Grande. Assim, a data do aniversário de Campina Grande marca o fim de mais de 70 anos como vila.

O que mudou em Campina Grande depois de virar cidade (1864 a 1907)

Um ano depois de virar cidade, em 1865, Campina Grande ganhou uma comarca, a divisão da Justiça com juiz próprio. Em 1874, começou no município a revolta do Quebra-Quilos, contra impostos novos e contra o novo sistema de pesos e medidas. Os revoltosos queimaram cartórios e arquivos da cidade, e tropas mandadas pelo governo do Império ocuparam Campina Grande sem nenhum combate.

A cidade cenográfica do Parque do Povo, palco do São João de Campina Grande. Foto: Kyller Costa Gorgônio, CC BY-SA 2.0

Ainda assim, a cidade mudou pouco nas primeiras décadas. Em 1907, Campina Grande tinha as mesmas igrejas, as mesmas casas de mercado, os mesmos açudes e o mesmo movimento de boiadas de 1864. Tudo se renovou com a chegada da estrada de ferro, em 1907. Por isso a cidade criada pela lei de 11 de outubro de 1864 só ganhou cara de cidade moderna mais de 40 anos depois.

Linha do tempo de Campina GrandeSete marcos, de 1697 a 1964, na história de Campina Grande.
  • 1697Teodósio de Oliveira Ledo deixa os indígenas Ariús numa campina no alto da Borborema.
  • 1769A aldeia ganha paróquia própria, de Nossa Senhora da Conceição.
  • 1790O lugar vira vila, com o nome oficial de Vila Nova da Rainha.
  • 1864Uma lei de 11 de outubro transforma a vila em cidade, com o nome de Campina Grande.
  • 1874Começa na cidade a revolta do Quebra-Quilos.
  • 1907Chega a ferrovia, que leva o algodão da cidade até o porto do Recife.
  • 1964A cidade faz cem anos e ganha o monumento Os Pioneiros da Borborema.

De onde vem o nome Campina Grande?

O nome vem da paisagem do lugar onde surgiu a aldeia, no alto da Serra da Borborema. Ali havia uma área muito plana, cercada de baraúnas, paus-d'arco, aroeiras, angicos e mulungus. Campo aberto e plano desse tipo se chama campina, e a grande campina deu nome à aldeia. Segundo Irineu Joffily, os missionários fundaram a aldeia numa colina verde, ao pé dessa grande campina, e deram a ela o nome de Campina Grande.

No começo, os portugueses chamaram a aldeia de Paupina, mas o nome Campina Grande venceu, segundo um dicionário geográfico do Império publicado em 1845. A carta do governador da Paraíba ao rei de Portugal, de maio de 1699, já chamava o lugar de Campina Grande. Em 1790, a vila recebeu o nome oficial de Vila Nova da Rainha. A lei de 11 de outubro de 1864 devolveu ao lugar, como nome oficial, o nome Campina Grande.

O que visitar no aniversário de Campina Grande?

Museu Histórico e Geográfico de Campina Grande

O museu fica no prédio da cadeia que a vila construiu em 1814, no antigo largo da Igreja Matriz. Em 1824, o prédio recebeu presos da Confederação do Equador, uma revolta contra o governo do Império, entre eles Frei Caneca. O acervo tem fotos, mapas, móveis, armas e ferramentas que contam a história da cidade. O Museu Histórico é um dos museus que a prefeitura costuma abrir com guia no dia do aniversário de Campina Grande.

Museu do Algodão, na Estação Velha

O Museu de História e Tecnologia do Algodão fica na Estação Velha, a antiga estação de trem perto do centro. O acervo mostra a importância do algodão, chamado de ouro branco, para Campina Grande.

Açude Velho e o monumento Os Pioneiros da Borborema

O Açude Velho foi o primeiro açude de Campina Grande e foi construído por causa da seca de 1824 a 1828, sobre o antigo Riacho das Piabas. Na beira do açude fica o monumento Os Pioneiros da Borborema, do escultor Abelardo da Hora, inaugurado em 11 de outubro de 1964, quando a cidade fez cem anos. As três estátuas são um indígena, uma catadora de algodão e um tropeiro, e estão viradas para o lado onde o sol nasce. Também na beira do açude fica o Monumento aos 150 anos, prometido para 11 de outubro de 2014 e inaugurado com atraso, nas comemorações dos 151 anos de Campina Grande.

Rua Vila Nova da Rainha

Os Ariús abriram a primeira rua da aldeia, com casas de barro perto do Riacho das Piabas. Mais tarde ela recebeu o nome de Rua do Oriente e, depois, o de Rua Vila Nova da Rainha. Assim, o nome oficial da vila, que a lei de 11 de outubro de 1864 trocou por Campina Grande, ficou guardado numa rua de Campina Grande.