O aniversário de Bragança Paulista, em 15 de dezembro, é feriado?

Não, o aniversário de Bragança Paulista não é feriado. A data costuma ser ponto facultativo nas repartições municipais, por decreto da Prefeitura de Bragança Paulista.

Bancos, comércio e demais serviços funcionam como em um dia comum.

Da promessa dos Pimentel a Conceição do Jaguary: a história do 15 de dezembro

O 15 de dezembro lembra a fundação de Conceição do Jaguary, em 1763, povoado que deu origem a Bragança Paulista. Tudo começou com uma promessa: Antônio Pires Pimentel, morador do então distrito de Atibaia, estava doente e desenganado pelos médicos, e a mulher, Ignácia da Silva Pimentel, pediu a cura a Nossa Senhora da Conceição.

Alcançada a graça, o casal ergueu uma capela para a santa no alto de uma colina, à margem direita do ribeirão Canivete, que mais tarde se chamaria Lavapés, pequeno afluente do rio Jaguari. O morro virou passagem e pouso de tropeiros, e em volta da capela surgiram ranchos e barracas. A data de 15 de dezembro de 1763 ficou registrada como a de fundação desse povoado de passagem.

A região já tinha história. Uma cruz erguida no tempo dos bandeirantes deu origem à Igreja Nossa Senhora Aparecida do Lopo, que ainda permanece. Trilhas abertas rio Jaguari abaixo levavam a pequenos veios de ouro no rio Camanducaia, caminho que mais tarde viraria a estrada entre Bragança e Pedra Bela.

No século XVIII, esses caminhos foram ocupados por aventureiros e criadores, que aproveitaram as planícies de pastagem natural para soltar rebanhos de bois e cavalos. Foi esse movimento de tropas e gado que sustentou o pequeno povoado nos primeiros anos.

Da freguesia de 1765 à Vila Nova Bragança

O reconhecimento oficial veio rápido. Por alvará de 13 de fevereiro de 1765, o povoado virou freguesia, subordinada a São Paulo, e logo recebeu o primeiro vigário. Em 27 de junho de 1769, passou ao recém-criado município de Atibaia.

Em 1797, quando havia apenas 25 casas habitadas, moradores como José Nogueira, Geraldo Nogueira, João Nogueira Bueno e Davi Neiva Vidiri assinaram uma petição pela emancipação. A ordem régia de 17 de outubro de 1797 criou a Vila Nova Bragança, nome ligado à Casa de Bragança, e a vila foi instalada em 29 de novembro. Em 1798, o sargento-mor Antonio Leme da Silva, natural de Mogi-Guaçu, foi eleito por pelouro o primeiro juiz ordinário e de órfãos.

Linha do tempo de Bragança PaulistaSete marcos, de 1763 a 2019, na história de Bragança Paulista.
  • 1763Formação do núcleo Conceição do Jaguary, em torno da capela de Nossa Senhora da Conceição, em terras dos Pires Pimentel.
  • 1765Por alvará de 13 de fevereiro, o povoado vira freguesia, subordinada a São Paulo.
  • 1797A ordem régia de 17 de outubro cria a Vila Nova Bragança, desmembrada de Atibaia.
  • 1856A Lei Provincial 21, de 24 de abril, eleva Bragança a cidade.
  • 1944Acréscimo do complemento Paulista, para diferenciar a cidade de Bragança, no Pará.
  • Anos 1970Formação do Lago do Taboão.
  • 2019A Câmara dos Deputados aprova projeto que dá à cidade o título de Capital Nacional da Linguiça Artesanal.

A Lei Provincial 21, de 24 de abril de 1856, elevou Bragança a cidade. Do território saíram Amparo, em 1857, e Socorro, em 1871, que tinham nascido como freguesias bragantinas em 1839 e 1838, em torno das capelas de Nossa Senhora do Amparo e de Nossa Senhora do Socorro do Rio do Peixe. Mais tarde, a Lei Estadual 8.092 emancipou Pedra Bela e Pinhalzinho, em 1964, e a Lei Estadual 7.644 fez o mesmo com Tuiuti e Vargem, em 1991. O complemento Paulista veio com o Decreto-Lei 14.334, de 30 de novembro de 1944, para diferenciar a cidade de Bragança, no Pará.

A divisão interna também mudou várias vezes. O distrito de Tuiuti nasceu em 1902, pela Lei Estadual 858; Pedra Grande e Vargem, em 1929; e Pinhal, em 1936, rebatizado de Pinhalzinho dois anos depois, pelo Decreto Estadual 9.775. Com o decreto de 1944, Pedra Grande virou Pedra Bela, e todos esses distritos acabaram emancipados nas décadas seguintes, até o município ficar só com a sede, em 1995.

Café da Mantiqueira, Taboão e linguiça artesanal

No século XIX, a Região Bragantina virou produtora de café arábica nas encostas da Mantiqueira, o principal produto de exportação do Império, e muitos fazendeiros trocaram casebres por sedes de requinte erguidas com o capital do grão. O clima e o solo das elevações da serra deram ao café bragantino fama entre os importadores, e várias fazendas viraram modelo de produtividade. A ferrovia chegou nesse ciclo.

Antiga estação ferroviária, marco do ciclo do café. Foto: Folha da Manhã, CC BY 4.0

A antiga estação ferroviária ficou como marco daquele tempo. Já no século XX, nos anos 1970, a cidade ganhou o Lago do Taboão, que virou o cartão de lazer de Bragança.

Lago do Taboão, em Bragança Paulista. Foto: Marco Aurélio Esparzá, CC BY-SA 3.0

A identidade gastronômica veio de uma receita de família: segundo a Câmara dos Deputados, no pós-guerra a imigrante calabresa Palmira Boldrini passou a fazer uma linguiça artesanal que se espalhou pela cidade. Em 2019, a Câmara aprovou projeto de lei que dá a Bragança Paulista o título de Capital Nacional da Linguiça Artesanal, enviado ao Senado.

A Casa tipo Castelo, marco da paisagem urbana. Foto: Marco Aurélio Esparzá, CC BY-SA 3.0

A Casa tipo Castelo marca a paisagem urbana. A padroeira, Nossa Senhora da Conceição, é lembrada em 8 de dezembro, uma semana antes do aniversário. Quem nasce na cidade é bragantino.