O aniversário de Boa Vista, em 9 de julho, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Boa Vista, conforme a Lei Municipal 227/1990.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do forte no rio Branco à capital em leque ao norte do Equador

A história de Boa Vista começa antes da cidade, com a defesa do rio Branco. Em 1775, os portugueses fundaram o Forte São Joaquim, a cerca de 32 quilômetros do local da futura capital, para guardar o vale contra incursões de espanhóis e holandeses, o que deu importância militar à região. A paisagem em volta é o lavrado, a savana amazônica de campos abertos, buritizais e ilhas de mata.

O núcleo urbano nasceu de uma fazenda de gado. Em 1830, o capitão Inácio Lopes de Magalhães instalou ali a sede da fazenda Boa Vista do Rio Branco, uma das muitas que ocupavam as margens dos rios da bacia, então sob a jurisdição da vila de São José da Barra do Rio Negro, a futura Manaus. Em torno da sede formou-se um pequeno povoado, por muito tempo o único do alto rio Branco.

Orla de Boa Vista, à margem direita do rio Branco. Foto: Wallaceferrao, Domínio público

Em 1858, a povoação ganhou status de paróquia, como freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Rio Branco, à margem direita do rio. A devoção ficou: a padroeira, Nossa Senhora do Carmo, é celebrada em 16 de julho, uma semana depois do aniversário da cidade.

De vila amazonense a capital de território

A data do aniversário vem de um ato do governo do Amazonas. Em 9 de julho de 1890, o Decreto Estadual n.º 49, do governador Augusto Ximeno de Villeroy, elevou a freguesia à categoria de vila, com o nome de Boa Vista do Rio Branco, sede de um novo município desmembrado de Moura. A instalação ocorreu em 25 de julho de 1890.

Em 4 de novembro de 1892, a Lei Estadual n.º 33 incluiu Boa Vista do Rio Branco na relação oficial dos municípios amazonenses. Na divisão administrativa de 1911, a vila era formada só pelo distrito sede, e assim seguiu nas divisões de 1933, 1936 e 1937.

O título de cidade veio com a Lei Estadual n.º 1.262, de 27 de agosto de 1926, ainda com o nome completo. Em 1938, o nome do município foi simplificado para Boa Vista. Nessa fase, o município amazonense cobria boa parte das terras do futuro estado de Roraima, e outros municípios foram criados depois a partir dele.

A virada institucional veio em plena Segunda Guerra. O Decreto-Lei 5.812, de 13 de setembro de 1943, retificado oito dias depois pelo Decreto-Lei 5.839, criou o Território Federal do Rio Branco, desmembrado do Amazonas, transferiu para ele o município de Boa Vista com parte de Moura e fez da cidade a capital. A partir de 1944, a instalação do governo territorial e o garimpo na região puxaram o crescimento.

Linha do tempo de Boa VistaDez marcos, de 1775 a 2010, na história de Boa Vista.
  • 1775Fundação do Forte São Joaquim, no vale do rio Branco.
  • 1830O capitão Inácio Lopes de Magalhães instala a fazenda Boa Vista do Rio Branco.
  • 1858Criação da freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Rio Branco.
  • 1890Em 9 de julho, o Decreto Estadual 49 cria a vila e o município de Boa Vista do Rio Branco.
  • 1926A Lei Estadual 1.262 eleva Boa Vista do Rio Branco à categoria de cidade.
  • 1943O Decreto-Lei 5.812 cria o Território Federal do Rio Branco, com Boa Vista como capital.
  • 1944-1946Darcy Aleixo Derenusson projeta o traçado urbano em leque a partir do Centro Cívico.
  • 1962O Território Federal do Rio Branco passa a se chamar Território Federal de Roraima.
  • 1988A Constituição transforma Roraima em estado, e Boa Vista vira capital estadual.
  • Anos 2010Chegada de migrantes venezuelanos pela fronteira norte.

O traçado em leque e a vida de capital

A nova condição trouxe o traço mais reconhecível da cidade. Entre 1944 e 1946, o engenheiro Darcy Aleixo Derenusson projetou o traçado urbano em leque, com avenidas radiais que partem da Praça do Centro Cívico, cortadas por ruas em arco. O desenho, inspirado no conceito de cidade-jardim, é visível em imagens de satélite.

Em 1960, o município tinha quatro distritos: Boa Vista, Conceição do Maú, Depósito e Uraricoera. Dois anos depois, o território passou a se chamar Roraima. Em 1982, a Lei Federal n.º 7.009 extinguiu os distritos de Conceição do Maú, Depósito e Uraricoera, cujas terras foram anexadas à sede. Com a Constituição de 1988, Roraima virou estado, e Boa Vista deixou de ser capital de território para se tornar capital estadual.

Catedral Cristo Redentor, no centro de Boa Vista. Foto: MiltonRamon, CC BY-SA 4.0

Boa Vista é a única capital brasileira inteiramente ao norte da linha do Equador. A posição de fronteira, perto da Venezuela e da Guiana, marcou a formação da cidade, que reúne povos indígenas, migrantes nordestinos e, a partir dos anos 2010, venezuelanos chegados pela fronteira norte. A Catedral Cristo Redentor, no Centro Cívico, concentra a vida religiosa da capital, e quem nasce ali é boa-vistense.

Os rios Branco, Tacutu, Uraricoera, Amajari e Cauamé formam a hidrografia do município, e o Cauamé deu nome a um bairro da capital. O rio Branco segue no centro da vida local. Na cheia, entre março e setembro, as águas avançam sobre as áreas próximas às margens; na vazante, o nível baixa, a navegação fica mais difícil e surgem praias fluviais como a Praia Grande, frequentadas na estação seca.