O aniversário de Bento Gonçalves, em 11 de outubro, é feriado?
Não, o aniversário de Bento Gonçalves não é feriado municipal.
O feriado municipal de Bento Gonçalves é o dia de Santo Antônio (13 de junho). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Da Colônia Dona Isabel ao Vale dos Vinhedos: a história do 11 de outubro
O 11 de outubro lembra a emancipação da antiga Colônia Dona Isabel, em 1890. O Ato 474 criou o município com o nome de Bento Gonçalves, desmembrado de São João de Montenegro, em homenagem a Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha, que morreu em 1847 e não viveu na cidade.
A colônia foi criada em 1870, por ato do presidente da província, João Sertório, na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul, ao lado de Conde d’Eu, depois Garibaldi, e de Nova Palmira, depois Caxias do Sul. Antes dos imigrantes, o lugar era conhecido como Região da Cruzinha, por causa de uma cruz rústica fincada sobre a sepultura, provavelmente, de um tropeiro ou de um demarcador de lotes.
Na véspera do Natal de 1875, as primeiras famílias italianas, vindas do Vêneto e do Tirol, então austríaco, chegaram à colônia e se instalaram na esplanada onde fica a Igreja Matriz Cristo Rei. Da fala desses colonos nasceu o Talian, dialeto vêneto-brasileiro ainda vivo na serra gaúcha.
A uva e o vinho vieram com os imigrantes, que trouxeram mudas e o costume de produzir vinho em casa, base da economia que a cidade construiria depois.
Picadas, ofícios e o caminho até a emancipação
Os primeiros anos foram de trabalho pesado e isolamento. As trocas aconteciam na sede da colônia, depois de longas caminhadas por picadas abertas no mato pelos próprios imigrantes. Era a época do escambo, a troca de mercadoria por mercadoria, e os tropeiros paravam ali para descansar.
Entre os colonos havia ferreiros, sapateiros, marceneiros, alfaiates e carpinteiros, que abriram negócios no próprio ofício. Em março de 1876, o presidente da província, José Antônio de Azevedo Castro, registrava 348 lotes medidos e demarcados e 790 moradores, 729 deles italianos. Em 1877, a sede tinha casas comerciais, padarias e uma fábrica de chapéus, e a colônia inteira somava 40 casas de comércio e serviços.
Com o movimento, as estradas melhoraram e surgiram as primeiras carretas. Em 1881, começou a abertura da primeira estrada de rodagem até São João de Montenegro, município ao qual a colônia estava subordinada, trajeto que reduziu o isolamento das famílias da serra. Em 26 de abril de 1884, a Lei Provincial 1.455 criou ali o distrito de Bento Gonçalves, passo anterior à emancipação de 1890.
A vida religiosa organizou a colônia desde cedo. Em 1876, o padre Bartolomeu Tiecher celebrou ali a primeira missa, e em 1884 foi inaugurada a Paróquia de Santo Antônio de Pádua.
- 1870Criação da Colônia Dona Isabel, na área conhecida como Região da Cruzinha.
- 1875Na véspera do Natal, as primeiras famílias italianas, vindas do Vêneto e do Trentino, chegam à Colônia Dona Isabel.
- 1884Lei provincial cria o distrito de Bento Gonçalves, subordinado a São João de Montenegro.
- 1890Em 11 de outubro, emancipação pelo Ato 474, com o nome de Bento Gonçalves, em homenagem ao líder farroupilha.
- 1919Inauguração da estação ferroviária, que liga a cidade ao restante do estado e impulsiona o comércio do vinho.
- 1967Primeira edição da Fenavinho, a festa do vinho.
- 1977Primeira edição da Movelsul, feira do setor moveleiro.
- 2002O Vale dos Vinhedos recebe a primeira Indicação de Procedência de vinhos do Brasil.
- 2012O Vale dos Vinhedos conquista a primeira Denominação de Origem de vinhos do país.
Ferrovia, Fenavinho e o Vale dos Vinhedos
Depois da emancipação, a cidade montou a estrutura de município. O primeiro Conselho Municipal foi instalado em 1892, e em 1907 Bento Gonçalves virou sede de comarca. Em 1910, surgiram o jornal Bento Gonçalves e o primeiro estabelecimento vinícola da cidade; em 1916, a fábrica de acordeões Todeschini; em 1923, a usina hidrelétrica.
O vinho virou negócio. Em 1919, a estação ferroviária foi inaugurada e ligou a cidade ao restante do estado, o que impulsionou o comércio da bebida. Em 1967, a cidade fez a primeira edição da Fenavinho, a festa do vinho.
O Vale dos Vinhedos virou distrito do município em 1994. Recebeu em 2002 a primeira Indicação de Procedência de vinhos do Brasil e, em 2012, a primeira Denominação de Origem do país. Daí vem o título de Capital Brasileira do Vinho, ligado ao enoturismo da serra gaúcha.
O trem turístico Maria Fumaça liga Bento Gonçalves a Garibaldi e Carlos Barbosa. Além do vinho, a cidade tem um polo moveleiro e sedia a feira Movelsul desde 1977. Antigos distritos seguiram caminho próprio: Monte Belo do Sul e Santa Tereza se emanciparam em 1992.
O mapa interno do município foi desenhado aos poucos. Monte Belo virou distrito em 1900, Linha Jansen em 1906, Nova Pompéia em 1913 e Santa Tereza em 1916. Nova Pompéia passou a se chamar Pinto Bandeira em 1939. São Roque, criado em 1962, ganhou o nome de Tuiuti em 1971, e o distrito de Dona Isabel, de 1981, virou São Pedro dois anos depois. Faria Lemos, criado em 1925, foi extinto em 1938 e recriado em 1958.
A Pipa Pórtico é o monumento símbolo da Capital Brasileira do Vinho. O padroeiro da cidade é Santo Antônio, celebrado em 13 de junho, data diferente do aniversário.