Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de Belo Horizonte.
O aniversário de Belo Horizonte, em 12 de dezembro, é feriado?
Não, o aniversário de Belo Horizonte não é feriado municipal.
Os feriados municipais de Belo Horizonte são o Corpus Christi (4 de junho de 2026), o dia de Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira (15 de agosto) e o dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Do Curral del Rei à Cidade de Minas: a capital planejada de 1897
Antes da capital, havia uma fazenda. Em 1701, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz chegou à serra de Congonhas em busca de ouro. Não achou o metal, mas encontrou clima ameno e terra boa para a agricultura, e ali ergueu a Fazenda do Cercado, com uma pequena plantação e criação de gado.
Em volta da fazenda formou-se um arraial. Tropeiros que levavam gado da Bahia para a região das minas faziam pouso no lugar, que recebeu o nome de Curral del Rei, e a serra de Congonhas passou a ser chamada de Serra do Curral. Os viajantes pediam proteção a Nossa Senhora da Boa Viagem, que virou padroeira, e uma Ordem Régia de 1750 criou o distrito de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral del Rey.
O arraial viveu da lavoura, do comércio de gado e da farinha, com pequenas fábricas de algodão, fundições de ferro e bronze e pedreiras de granito e calcário. Elevado a freguesia, ainda subordinado a Sabará, chegou a abranger as terras de Sete Lagoas, Contagem, Capela Nova do Betim e Morro de Mateus Leme. No centro, os devotos ergueram a Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
A fase de prosperidade durou pouco. As áreas vizinhas foram se emancipando, o arraial encolheu e a economia local entrou em declínio. No fim do século XIX, o Curral del Rei era um povoado modesto, sem nada que anunciasse a sede de governo que seria erguida ali.
- 1701O bandeirante João Leite da Silva Ortiz ergue a Fazenda do Cercado.
- 1750Ordem Régia cria o distrito de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral del Rey.
- 1893A Lei Estadual 3, de 17 de dezembro, define a construção da nova capital em Belo Horizonte.
- 1894A Comissão Construtora, chefiada por Aarão Reis, inicia o projeto da nova capital.
- 1897Inauguração da Cidade de Minas em 12 de dezembro.
- 1901A Lei Estadual 302 muda o nome da capital para Belo Horizonte.
- Anos 1940Construção do conjunto da Pampulha, com projetos de Oscar Niemeyer.
- 2016O Conjunto Moderno da Pampulha é declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.
- 2017Belo Horizonte recebe da UNESCO o título de Cidade Criativa da Gastronomia.
Ouro Preto ou uma cidade nova: a disputa pela sede do governo
A troca da capital mineira era uma ideia antiga. Em 1789, os inconfidentes planejavam instalar a sede de sua república em São João del-Rei, e outras quatro tentativas de tirar o governo de Ouro Preto fracassaram depois disso. Só após a Proclamação da República, em 1889, a mudança ganhou força, e já não como simples transferência, mas como a construção de uma cidade inteira.
O clima republicano chegou ao arraial. Por proposta de sócios do Clube Republicano local, um decreto estadual de 12 de abril de 1890 trocou o nome do distrito para Belo Horizonte. Em 1891, o presidente do estado, Augusto de Lima, determinou a transferência da capital para um lugar com boas condições de higiene, e a medida entrou na Constituição Estadual.
A decisão dividiu Minas. De um lado ficaram os "mudancistas", favoráveis à nova capital; do outro, os "não mudancistas", ligados a Ouro Preto, de ruas estreitas e relevo acidentado. Cada grupo fundou o próprio jornal e promoveu reuniões e debates. Uma Comissão de Estudos avaliou cinco localidades, e o Congresso mineiro, a quem cabia a palavra final, votou por Belo Horizonte.
Em 17 de dezembro de 1893, a Lei Estadual n.º 3 foi incorporada à Constituição do Estado: a nova sede seria erguida no antigo arraial, desmembrado de Sabará, com o nome de Cidade de Minas. A lei fixou prazo de quatro anos para a inauguração e criou a Comissão Construtora, chefiada pelo engenheiro Aarão Reis. O arraial festejou a escolha por três dias, mas o plano da nova cidade não reservava lugar para os antigos moradores.
Avenidas largas, a Pampulha e a cidade da música
A partir de 1894, a Comissão projetou avenidas largas e quarteirões em malha ortogonal, num traçado pensado para a administração pública, com o centro administrativo em torno da Praça da Liberdade. A inauguração foi em 12 de dezembro de 1897, data que o aniversário lembra. A Constituição exigia a entrega no prazo, e a cidade foi aberta com obras por terminar, num país em crise e com recursos curtos.
O nome Belo Horizonte voltou com a Lei Estadual n.º 302, de 1º de julho de 1901, que rebatizou o município e capital. As duas primeiras décadas do século XX alternaram crise e expansão, com surtos de crescimento em 1905, em 1912 e 1913 e entre 1917 e 1919. O território também mudou: Venda Nova foi criado em 1923, passou a Santa Luzia em 1938 e voltou à capital em 1948, e o distrito do Barreiro veio em 1995.
Nos anos 1940, o prefeito Juscelino Kubitschek encomendou a um jovem Oscar Niemeyer o conjunto da Pampulha, em torno da lagoa, com paisagismo de Burle Marx e painéis de Portinari. A Igreja São Francisco de Assis, com curvas de concreto, integra o conjunto, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2016.
A cidade também deixou marca na música e na mesa. Nas ruas de BH nasceu o Clube da Esquina, movimento ligado a Milton Nascimento e Lô Borges. Em 2017, a UNESCO deu a Belo Horizonte o título de Cidade Criativa da Gastronomia, e o Mercado Central reúne queijo minas artesanal, cachaça de alambique, goiabada cascão e pão de queijo. A festa da padroeira é em 15 de agosto, data diferente do aniversário.