O aniversário de Barreiras, em 26 de maio, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Barreiras.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
Da Passagem das Barreiras à fronteira do cerrado: a história do 26 de maio
As terras de Barreiras faziam parte da enorme sesmaria de Antônio Guedes de Brito, fundador do Morgado da Casa da Ponte, que se estendia pelo sertão baiano. Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, do IBGE, os descendentes venderam as áreas boas para lavoura e criação a compradores como José Alves Martins e Domingos Afonso Serra, e as chapadas ficaram devolutas.
Domingos Afonso Serra montou ali a Fazenda Tapera, de gado. Depois da morte dele, a fazenda foi inventariada e vendida em partes, e é dessa fase que se presume terem surgido as primeiras moradias. Nas barrancas do rio Grande, o lugar de travessia ficou conhecido como Passagem das Barreiras, e foi dessas barrancas que o povoado tirou o nome.
Em 1850, o barqueiro Plácido Barbosa morava numa casa junto ao porto, em terreno da Fazenda Malhada. Com o patrão, Francisco José das Chagas, recebia e descarregava as barcas que subiam o rio, e as mercadorias seguiam em tropas de animais para Goiás e localidades vizinhas.
O porto funcionava como ponto de troca entre a navegação e as tropas. O que chegava pelo rio Grande seguia no lombo de animais para o interior, e o que descia do sertão embarcava nas barcas, num vaivém que sustentou o povoado nas primeiras décadas.
- Século XVIIISurge a Passagem das Barreiras, ponto de travessia de tropas no rio Grande.
- 1850O barqueiro Plácido Barbosa recebe as barcas no porto da Fazenda Malhada.
- 1881Criação da freguesia, impulsionada pela borracha de mangabeira.
- 1891Em 26 de maio, instalação da vila, desmembrada de Angical.
- 1902A Lei estadual 449 eleva Barreiras à condição de cidade.
- 1962São Desidério, Catolândia e Baianópolis se separam de Barreiras.
- 2013Criação da UFOB, com sede em Barreiras.
Mangabeira, freguesia e vila: o caminho até 1891
O crescimento foi lento nas primeiras décadas. Por volta de 1880, a povoação não passava de um lugarejo de cerca de 20 casebres de taipa ou adobe, dependente do movimento do porto e das tropas que partiam rumo ao interior.
A virada veio das matas. A abundância de mangabeiras, de cuja seiva se fazia borracha, abriu uma atividade econômica nova e acelerou o povoado, que em 1881 ganhou a criação da freguesia. Em 1891, a freguesia passou a distrito de paz do município de Angical, e no mesmo ano a Lei estadual 237, de 6 de abril de 1891, elevou Barreiras à categoria de vila, desmembrada de Angical.
A vila foi instalada em 26 de maio de 1891, data que a cidade celebra como aniversário, e a contagem de anos parte daí. Em 19 de maio de 1902, a Lei estadual 449 deu a Barreiras a condição de cidade, quando o núcleo urbano já passava de 630 casas, num salto de duas décadas em relação ao lugarejo de taipa de 1880.
Em 1911, o município tinha quatro distritos: Barreiras, Santana, São Desidério e Várzeas. Nos anos 1930 chegou a oito, e em 1938 o Decreto-lei Estadual 11.089, de 30 de novembro, mudou vários nomes, com Santana virando Catão e Bonfim virando Boa Sorte, mais tarde Tapiracanga, nome dado pelo Decreto-lei Estadual 141, de 31 de dezembro de 1943.
O mesmo decreto de 1938 rebatizou Rio Branco como Barrocas e extinguiu o distrito de Palmares, cujo território passou a São Desidério. Barrocas durou pouco: a Lei Estadual 628, de 30 de dezembro de 1953, extinguiu o distrito e anexou a área à sede de Barreiras.
Os municípios de 1962 e o cerrado da soja
O território encolheu de uma vez em 1962, quando três leis estaduais criaram municípios a partir de distritos de Barreiras. São Desidério saiu com Sítio Grande, Catão virou Catolândia e Tapiracanga e Várzeas formaram Baianópolis. As três leis saíram no mesmo ano: a 1.621, de 22 de fevereiro, criou São Desidério; a 1.758, de 27 de julho, Catolândia; e a 1.776, de 30 de julho, Baianópolis. A partir de 1963, Barreiras passou a ser formada apenas pelo distrito sede.
Ao longo do século XX, a cidade se firmou como entreposto comercial e fluvial do oeste baiano, ligada ao rio que lhe deu origem. O padroeiro, São João Batista, é festejado em 24 de junho, no ciclo junino de forte tradição na região.
Nas décadas de 1970 e 1980, agricultores vindos do Sul chegaram ao cerrado, atraídos por terra plana e barata, e abriram a fronteira agrícola. A soja, o algodão e o milho mudaram a paisagem da chapada, dentro da região conhecida como MATOPIBA, que reúne áreas do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia.
O ciclo agrícola gerou uma cidade-filha: o distrito de Luís Eduardo Magalhães, antigo Mimoso do Oeste, se emancipou em 2000 e virou município. Em 2013 foi criada a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), com sede em Barreiras. A agricultura irrigada usa a água da bacia do rio Grande, o mesmo rio que, nas barrancas, deu origem à cidade.