O aniversário de Barcarena, em 30 de dezembro, é feriado?

Não, o aniversário de Barcarena não é feriado municipal.

No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

Dos índios Aruãs ao porto de Vila do Conde: a história de Barcarena

Os primeiros povos a ocupar a região foram os índios Aruãs, catequizados pelos padres jesuítas durante a colônia. Em 1758, o povoado foi elevado a freguesia com a invocação de São Francisco Xavier de Barcarena, e o padroeiro marca a identidade religiosa do lugar desde então.

Os jesuítas se instalaram em terras doadas por Francisco Rodrigues Pimenta, onde fundaram uma fazenda chamada Gibirié, depois conhecida como Missão Gibirié. Ali ergueram a igreja que serve de matriz do município.

A origem do nome tem uma versão contada pelos historiadores locais. No povoado havia uma grande embarcação batizada de Arena, que os moradores chamavam simplesmente de barca. Da junção das duas palavras teria saído Barcarena. Outra explicação liga o nome à vila de Barcarena, em Portugal, conhecida desde o século XV pela fábrica de pólvora que abastecia o império português.

Igreja de São Francisco Xavier, do padroeiro da cidade. Foto: Túllio F, CC BY-SA 4.0

O território fica junto à foz do rio Tocantins e à Baía do Marajó, numa região de ilhas, furos e igarapés. Essa geografia de águas definiu o modo de ocupação desde os primeiros séculos, com casas à beira do rio e o barco como meio de transporte.

As idas e vindas com Belém

Até as primeiras décadas do século 20, a história de Barcarena ficou presa à de Belém, nos acontecimentos políticos, administrativos e territoriais. A primeira separação veio com a Lei Estadual 494, de 10 de maio de 1897, que criou o município desmembrado da capital. A instalação ocorreu em 2 de janeiro de 1898.

Antes disso, a proximidade com a capital pôs o território no meio da Cabanagem, a revolta que agitou o Grão-Pará nos anos 1830. Foi em terras de Barcarena que morreu, em 31 de dezembro de 1834, o cônego Batista Campos, líder político paraense que editava um jornal de oposição ao presidente da província, Bernardo Lobo de Souza. A revolta tomou Belém em 1835 e se estendeu até 1840, com forte presença da gente pobre e ribeirinha da região.

A autonomia de 1897 não se manteve. No recenseamento geral de 1920, Barcarena já aparecia como distrito de Belém, e assim continuou nas divisões territoriais de 1936 e 1937 e no quadro fixado para o período de 1939 a 1943.

A volta veio pelo Decreto-Lei Estadual 4.505, de 30 de dezembro de 1943, que recriou o município com dois distritos, Barcarena e Murucupi, e instalação em 3 de janeiro de 1944. É dessa recriação que vem a contagem da idade da cidade, com aniversário em 30 de dezembro. O dia do padroeiro, 3 de dezembro, é outra data do calendário local.

Linha do tempo de BarcarenaSete marcos na história de Barcarena.
  • 1758Elevação da povoação a freguesia.
  • 1897Lei Estadual 494 cria o município, desmembrado de Belém.
  • 1920Barcarena aparece como distrito de Belém no recenseamento geral.
  • 1943Recriação pelo Decreto-Lei Estadual 4.505, com vigência em 1944.
  • 1985Início da produção de alumínio primário da Albras.
  • 1995Início do refino de alumina da Alunorte.
  • Período colonialCatequese dos índios Aruãs pelos jesuítas.

A divisão em dois distritos atravessou as décadas seguintes sem mudança. A sede e Murucupi aparecem nos quadros territoriais de 1944 a 1948 e na divisão de 1960, e o município mantém a mesma composição na divisão territorial de 2021. Em 2023, a Lei Complementar Estadual 164, de 5 de abril, incluiu Barcarena na Região Metropolitana de Belém.

O polo de Vila do Conde e a vida ribeirinha

Quatro décadas depois da recriação, chegou o projeto que mudaria o município: o complexo portuário-industrial de Vila do Conde. A Albras passou a produzir alumínio primário em 1985, e a Alunorte começou a refinar alumina em 1995. A produção sai pelo Porto de Vila do Conde, na Baía do Marajó, que ganhou um terminal de contêineres, o Tecon Vila do Conde. O polo passou a beneficiar e exportar também caulim e a fabricar cabos para transmissão de energia elétrica.

Para abrigar os trabalhadores do polo, foi erguido o núcleo planejado da Vila dos Cabanos, com traçado urbano organizado, distinto do casario ribeirinho tradicional. Perto dali, a Praia do Caripi, de água de rio, virou ponto de banho e descanso dos barcarenenses, com o Trapiche do Caripi. As praias de Cuipiranga e Guajarino completam o roteiro de rio do município.

Praia do Caripi, banho de rio na Baía do Marajó. Foto: Davi Valle (Davivalle), CC BY-SA 3.0

Boa parte do território segue formada por ilhas e comunidades ribeirinhas, onde o barco é o meio de transporte do dia a dia. A cidade convive assim com duas identidades, a da Amazônia das águas e a do polo industrial à beira da baía. A economia de base agrícola, mais antiga, divide espaço com as fábricas e com o turismo de rio, e a vida cultural tem uma academia de letras própria, a Academia Barcarenense de Letras.