O aniversário de Bagé, em 17 de julho, é feriado?

Não, o aniversário de Bagé não é feriado municipal.

Os feriados municipais de Bagé são o dia de São Sebastião, padroeiro (20 de janeiro) e o dia de Nossa Senhora Auxiliadora (24 de maio). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.

Missões, tratados e o Forte de Santa Tecla

A disputa pela fronteira começou bem antes da cidade. Em 1683, jesuítas vindos de Buenos Aires fundaram a Redução de São André dos Guenoas na região. Depois do Tratado de Madri, de 1750, uma comissão luso-espanhola começou em 1752 a demarcar a nova fronteira até as cabeceiras do Rio Negro, em Santa Tecla, perto do local da futura Bagé.

Anulado o tratado em 1761, o governador de Buenos Aires, Juan José de Vértiz y Salcedo, marchou até os Cerros de Bagé em 1773 e mandou erguer o Forte de Santa Tecla, marco da posse espanhola. Os portugueses sitiaram a fortaleza de 28 de fevereiro a 24 de março de 1776, quando o comandante espanhol se rendeu ao sargento-mor Rafael Pinto Bandeira, que mandou arrasar e queimar o forte.

Para impedir a volta dos espanhóis, o governo português passou a doar, a partir de 1801, sesmarias para fazendas de criação de gado. A medida ocupava a terra e protegia a fronteira sul. As ruínas do forte são tombadas pelo IPHAN.

O acampamento de Dom Diogo de Souza

A data que a cidade comemora nasce de uma campanha militar. Em 1811, com o levante chefiado por Artigas no interior do Uruguai, Dom João VI ordenou que as forças luso-brasileiras da fronteira entrassem em território espanhol. O Marechal Dom Diogo de Souza, à frente do Exército Pacificador da Banda Oriental, com três mil homens, acampou por um bom tempo aos pés dos Cerros de Bagé.

O historiador Tarcísio Antônio da Costa Taborda fixou 17 de julho de 1811 como data oficial da fundação. Ao seguir para Cerro Largo, levando dez mil cavalos e dois mil bois, o exército enfrentou inverno chuvoso e rios cheios. Dom Diogo deixou em Bagé parte dos soldados, comerciantes, mulheres que acompanhavam a tropa, doentes e mantimentos, e nomeou Pedro Fagundes de Oliveira comandante do acampamento.

O vilarejo que surgiu ali tinha mais água, lenha e proteção natural do que o aldeamento junto à antiga Guarda de São Sebastião. Em 20 de janeiro de 1813, uma procissão levou a imagem de São Sebastião da Guarda para a nova povoação. A nova igreja começou a ser construída em 1815 e ficou pronta em 1820, no local da Matriz de São Sebastião.

Catedral de São Sebastião, padroeiro de Bagé. Foto: MTur Destinos, Public domain

A calma durou pouco. Na Guerra da Cisplatina, em 1827, parte do exército de Lavalleja entrou em Bagé e depredou a capela de São Sebastião, com livros de registro rasgados e alfaias levadas.

Linha do tempo de Bagé11 marcos, de 1683 a 1972, na história de Bagé.
  • 1683Jesuítas fundam a Redução de São André dos Guenoas na região.
  • 1773Espanhóis erguem o Forte de Santa Tecla.
  • 1776Rafael Pinto Bandeira toma o forte para os portugueses.
  • 1811Em 17 de julho, acampamento militar de Dom Diogo de Souza, marco de fundação.
  • 1815-1820Construção da igreja de São Sebastião.
  • 1836Em 10 de setembro, combate do Seival; no dia seguinte, Souza Netto proclama a República Rio-grandense.
  • 1844-1845Negociações de paz que encerram a Revolução Farroupilha passam por Bagé.
  • 1846Leis provinciais 64 e 65 criam a freguesia e a vila.
  • 1904Fundação da Associação Rural de Bagé.
  • 1951Fundação do Clube de Gravura de Bagé.
  • 1972Criação da Semana Crioula Internacional.

Farroupilhas, vila e a Rainha da Fronteira

Bagé esteve no centro da Revolução Farroupilha. Em 1836, quando era um vilarejo de pouco mais de cem casas em volta da capela, a região viu passar exércitos legais e rebeldes. Em 10 de setembro daquele ano, o coronel farroupilha Antônio de Souza Netto venceu as forças legalistas no combate do Seival, em terras do município, e no dia seguinte proclamou a República Rio-grandense. O pavilhão tricolor sustentado nesse episódio foi adotado depois como bandeira do estado.

Em agosto de 1841, a capital farroupilha passou por Bagé, onde o ministro Domingos José de Almeida instalou uma tipografia para o jornal da República voltar a circular. A última rodada de conversas antes da paz começou na cidade em 6 de novembro de 1844 e, no início de março de 1845, Caxias, Bento Gonçalves e Souza Netto entraram em Bagé, recebidos com bailes, Te Deum e fogos. Dias antes, em 25 de fevereiro, os chefes farroupilhas tinham se reunido em Poncho Verde, sob a presidência de David Canabarro, e Caxias lançou sua proclamação aos rio-grandenses em 1º de março.

Em 5 de junho de 1846, a Assembleia Provincial aprovou as leis 64 e 65, que fizeram de Bagé freguesia e vila, desmembrada de Piratini; a instalação ocorreu em 2 de fevereiro de 1847. Na Revolução Federalista, em 1893 e 1894, a cidade resistiu durante 47 dias ao cerco das forças federalistas, episódio conhecido como Cerco de Bagé.

A vida econômica e cultural se organizou em torno do campo. A Associação Rural de Bagé, de 1904, organiza a Expofeira, e a Semana Crioula Internacional, criada em 1972, reúne Brasil, Uruguai e Argentina.

Palácio Pedro Osório, prédio eclético na Praça da Matriz. Foto: MTur Destinos, Public domain

O Clube de Gravura de Bagé, fundado em 1951, formou uma geração de gravuristas. O apelido Rainha da Fronteira vem da posição perto do Uruguai e do passado militar. Candiota, Hulha Negra e Aceguá se emanciparam de Bagé nos anos 1990, e a fronteira seca fica em Aceguá. Quem nasce na cidade é bageense.