O aniversário de Arapongas, em 10 de outubro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Arapongas.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Uma cidade desenhada pela Companhia de Terras

Arapongas nasceu de um projeto de colonização. Entre os anos 1930 e 1950, a Companhia de Terras Norte do Paraná, empresa de capital britânico, loteou e vendeu as terras do norte do estado, abrindo a região ao café e às pequenas propriedades. A cidade foi planejada dentro desse plano, no mesmo modelo aplicado a Londrina, Cambé e Rolândia.

O idealizador e fundador foi William da Fonseca Brabazon Davids, diretor da companhia e, na época, prefeito de Londrina. Ele coordenou o traçado urbano e a abertura dos primeiros lotes residenciais e agrícolas, seguindo um plano que definia de antemão onde ficariam ruas, praças e chácaras.

Marco do Trópico de Capricórnio, na BR-369. Foto: DAR7 e Eloy Olindo Setti, CC BY-SA 4.0

A ocupação começou em 1935. O comerciante francês René Cellot e a filha, Geanine, compraram os primeiros lotes urbanos e abriram ali, em 28 de setembro daquele ano, uma casa comercial, no ponto onde depois se instalou uma agência do Banco Brasileiro de Descontos. No mesmo ano, o lavrador Floriano Freire adquiriu o primeiro lote agrícola, e logo outros agricultores, de várias nacionalidades, se fixaram no lugar com lavouras e casas de comércio.

Nos anos seguintes foram povoadas as glebas reservadas aos imigrantes. Em 1937 já estavam formadas a Colônia Esperança, de japoneses católicos que começaram a chegar em meados de 1935, e a Colônia Orle, de eslavos. A primeira capela, de madeira, foi o núcleo da futura Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, padroeira da cidade.

Linha do tempo de ArapongasCinco marcos, de 1930 a 2000, na história de Arapongas.
  • Anos 1930A Companhia de Terras Norte do Paraná coloniza a região, dentro do plano do café.
  • 1947Criação do município, com aniversário em 10 de outubro.
  • Anos 1960-70Nasce e cresce o polo moveleiro.
  • 1992Instalação do marco do Trópico de Capricórnio na BR-369.
  • Anos 2000Consolidação da Movelpar e do apelido de Cidade dos Pássaros.

De distrito a município em 1947

Nos primeiros anos, o povoado pertencia a Londrina. O Decreto-Lei Estadual 199, de 30 de dezembro de 1943, criou o distrito de Arapongas dentro do município vizinho, chamado na época de Caviúna. O crescimento foi lento: faltava transporte, e as restrições da Segunda Guerra Mundial pioraram o quadro. Em 1945, a sede tinha cerca de 600 casas e era servida pela Estrada de Ferro São Paulo-Paraná.

A terra boa para o café e a facilidade de escoar a safra pesaram a favor da autonomia. A Lei Estadual 2, de 10 de outubro de 1947, criou o município, com três distritos: Arapongas, Astorga e Sabáudia. A instalação ocorreu em 1º de novembro de 1947. Astorga se emancipou em 1951 e Sabáudia em 1954.

O primeiro governo foi breve e interino, com José Simonetti. Em 1947 foi eleito o primeiro prefeito, Júlio Junqueira, que enfrentou uma tentativa de cassação. A comarca foi instalada em 16 de janeiro de 1948, com Ismael Dorneles de Freitas como primeiro juiz e Marcolino Leite de Paula e Silva como primeiro promotor; dois anos depois, foi elevada direto à terceira entrância. O segundo prefeito, João Cernichiaro, eleito em 22 de julho de 1951, também resistiu a tentativas de cassação, calçou ruas e construiu o Paço Municipal. O primeiro jornal da cidade, Comarca de Arapongas, foi lançado por Ennio Prosdocimi.

O nome vem do tupi guyraponga, a araponga, o pássaro-ferreiro cujo canto metálico soa como marteladas em uma bigorna. A Federação das Indústrias do Paraná resume o sentido como pássaro que faz barulho, lembrança das muitas espécies de aves que viviam na região.

Praça da Igreja Matriz, com araucária e flores. Foto: Sofia Prado, CC BY-SA 3.0

Móveis, aves e o Trópico de Capricórnio

A cidade nascida do café mudou de rumo a partir das décadas de 1960 e 1970, quando as geadas arrasaram os cafezais e a indústria de móveis e presentes tomou a frente da economia local. Arapongas virou polo moveleiro, com fábricas de móveis e estofados que vendem para outros países, e nos anos 2000 se consolidou a Movelpar, a feira de móveis do Paraná, realizada no município.

O traço mais curioso está nas placas de rua. Segundo a Federação das Indústrias do Paraná, mais de 400 ruas do município levam nomes de aves, de bem-te-vi a sabiá, de pardal a araponga. O hábito deu à cidade o apelido de Cidade dos Pássaros, que conversa com o próprio nome do município.

Outra marca está na BR-369. O Trópico de Capricórnio cruza o município, e em 1992 um marco foi instalado na rodovia, no ponto em que a linha passa. A cidade fica no norte central paranaense, entre Londrina e Apucarana, a cerca de 816 metros de altitude.

Quem nasce na cidade é araponguense. A festa da padroeira Nossa Senhora Aparecida é em 12 de outubro, dois dias depois do aniversário, e as duas datas marcam o calendário local na mesma semana.