O aniversário de Araguaína, em 14 de novembro, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Araguaína.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
De Livra-nos Deus ao povoado Lontra: as origens de Araguaína
Antes dos colonos, a área entre os rios Lontra e Andorinhas, no norte do atual Tocantins, era território de povos indígenas da etnia Carajá. A chegada dos primeiros migrantes data de 1876, quando João Batista da Silva e a família, vindos de Paranaguá, no Piauí, fixaram moradia na margem direita do rio Lontra. O pioneiro trouxe a esposa, Rosalina de Jesus Batista, e os filhos, entre eles Tomás Batista da Silva, então com nove anos, a quem muitos atribuem por engano a fundação do povoado.
O povoado recebeu o nome de Livra-nos Deus, pelo medo constante de ataques indígenas e de animais selvagens. Ainda naquele ano, outras famílias se juntaram aos pioneiros, e o lugar passou a se chamar Lontra, em referência ao rio que garantia água, pesca e caminho para quem vivia ali.
Os primeiros moradores plantavam cereais para o sustento das famílias e, no início do século XX, passaram a vender grãos no povoado de Nova Aurora do Coco, a atual Babaçulândia, a pouco mais de 60 km. Depois veio o café, cultivado para venda, que chegou a ser a principal atividade do povoado. A lavoura acabou abandonada pela falta de estradas: sem vias por terra, não havia como levar a produção até os mercados.
Na divisão administrativa, o povoado Lontra ficou primeiro sob São Vicente do Araguaia, a atual Araguatins, e depois sob Boa Vista do Tocantins, que passou a se chamar Tocantinópolis. O isolamento manteve o lugar estagnado por décadas, até a chegada, em 1925, das famílias de Manuel Barreiro, João Brito, Guilhermino Leal, José Lira e João Batista Carneiro.
Com os novos moradores foi erguida a primeira igreja, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, que se tornou o padroeiro da cidade, com festa em junho. A primeira professora nomeada para o povoado foi Josefa Dias da Silva, e em 1936 foi criado o primeiro destacamento policial.
Do distrito de Filadélfia à emancipação de 1958
A mudança de nome abriu a fase que levaria à autonomia. Em 1948, o povoado passou a se chamar Araguaína, em homenagem ao rio Araguaia, e passou a pertencer ao recém-criado município de Filadélfia. Pela Lei Municipal 86, de 30 de setembro de 1953, Araguaína virou distrito, com terras desmembradas do distrito de Iviti. A instalação foi em 1º de janeiro de 1954, com Cassimiro Ferreira Soares como subprefeito.
- 1876Colonos piauienses, vindos pelo rio Lontra, fundam o povoado Livra-nos Deus.
- 1925Erguida a primeira igreja, em devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
- 1948O núcleo passa a se chamar Araguaína, em referência ao rio Araguaia.
- 1958Em 14 de novembro, emancipação pela Lei Estadual 2.125, ainda sob Goiás.
- 1959Instalação oficial do município.
- Anos 1960A rodovia Belém-Brasília (BR-153) faz da cidade um entroncamento.
O passo seguinte veio cinco anos depois. A Lei Estadual 2.125, de 14 de novembro de 1958, elevou Araguaína a município, separado de Filadélfia, quando a região ainda fazia parte de Goiás. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1959, mas a data que a cidade comemora é a da lei. O primeiro prefeito, Henrique Ferreira de Oliveira, foi nomeado e governou até janeiro de 1961, quando assumiu Anatólio Dias Carneiro, o primeiro eleito pelo voto direto.
Nas décadas seguintes, o território encolheu à medida que os distritos ganharam autonomia. Em 1963, leis municipais criaram os distritos de Araguanã e Muricilândia, e em 1988 surgiu o de Aragominas. Os três foram desmembrados e elevados a município em 1991, e Araguaína voltou a ter só o distrito sede.
A Belém-Brasília e a Capital do Boi Gordo
Foi a estrada que mudou o ritmo da cidade. O desenvolvimento econômico começou de fato a partir de 1960, com a construção da rodovia Belém-Brasília (BR-153), que fez de Araguaína um entroncamento no caminho entre o Norte e o Centro-Oeste e atraiu comerciantes, pecuaristas e trabalhadores de outros estados.
A primeira agência de passagens de ônibus abriu em 1963, numa sala do Hotel São Vicente, na Rua Cônego João Lima, para atender as primeiras empresas interestaduais. Na mesma fase chegaram as igrejas cristãs, e os missionários orionitas, da congregação fundada pelo italiano Luís Orione, se instalaram na cidade em 1952.
Entre 1960 e 1975, a cidade cresceu num ritmo sem precedentes no antigo Goiás. Com a criação do estado do Tocantins, em 1988, Araguaína se firmou como polo de comércio, saúde e educação do norte tocantinense.
A pecuária de corte deu a ela o apelido de Capital do Boi Gordo, ligado à ExpoAraguaína, feira agropecuária com leilões, rodeios e negócios do agro da região. Outro título, o de Capital Econômica do Tocantins, foi cunhado por um jornalista local nos anos 1970.
Na saúde, a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) mantém na cidade um hospital universitário dedicado a doenças tropicais, como malária e leishmaniose, um dos poucos do país nessa especialidade.