Todos os feriados da capital no ano, com o calendário e os feriados prolongados, estão em Feriados de Aracaju.

O aniversário de Aracaju, em 17 de março, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Aracaju, conforme a Lei Municipal 1.358/1988, com redação da Lei 3.805/2009.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Do povoado de pescadores à capital planejada: a história do 17 de março

Antes de virar capital, o lugar era o povoado de Santo Antônio do Aracaju, um núcleo de pescadores que aparece nos registros por volta de 1699 e que, em meados do século XVIII, ainda dependia da freguesia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A sede do governo de Sergipe ficava em São Cristóvão, fundada em 1590 por Cristóvão de Barros depois da guerra contra o cacique Serigy.

Vista aérea do rio Sergipe na orla de Aracaju. Foto: Paul R. Burley, CC BY-SA 4.0

A mudança foi costurada no início de 1855 pelo presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa. Em 25 de fevereiro, uma reunião no engenho do Barão de Maruim juntou os senhores de açúcar, e poucos se declararam contra. Em 2 de março, o projeto chegou à Assembleia Provincial. Em 17 de março, a resolução elevou o povoado a cidade e transferiu para ali a capital.

O argumento era o porto. São Cristóvão ficava rio acima, longe do mar, e os navios que levavam o açúcar sergipano precisavam de um ancoradouro na foz do rio Sergipe. A alfândega provincial já tinha sido levada para Aracaju em janeiro de 1855, e em fevereiro ficou pronto o canal entre os rios Japaratuba e Pomonga, que ligava a zona canavieira do interior ao litoral.

A pressão vinha sobretudo do Vale do Cotinguiba, a principal zona produtora de açúcar da província, que precisava de um porto para escoar a safra. A pequena São Cristóvão já não oferecia condições de sede administrativa, e a escolha recaiu sobre a terra que, segundo Clodomir Silva no Álbum de Sergipe, de 1922, tinha sido domínio do cacique Serigy, entre o rio Sergipe e o Vaza-Barris.

Linha do tempo de AracajuCinco marcos, de 1855 a 1940, na história de Aracaju.
  • 1855Em 17 de março, transferência da capital de Sergipe de São Cristóvão para o novo núcleo na foz do rio Sergipe; O engenheiro Sebastião José Basílio Pirro projeta o traçado em quadrícula do Centro.
  • Anos 1860Consolidação do porto como entreposto do açúcar sergipano.
  • 1910Criação da Diocese; a igreja matriz vira Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição.
  • 1926Abertura do Mercado Antônio Franco, no Centro.
  • Anos 1940Expansão urbana para além do quadrilátero original do plano de Pirro.

O tabuleiro de xadrez desenhado por Pirro

Para tirar a nova capital do papel, Barbosa entregou o traçado ao engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro. O desenho saiu em quadrícula: ruas retas e perpendiculares, quarteirões regulares e um conjunto que desce em direção ao rio Sergipe, como as casas de um tabuleiro de xadrez.

O plano fez de Aracaju uma capital projetada décadas antes de Belo Horizonte, inaugurada em 1897, e de Goiânia, fundada nos anos 1930. O centro antigo continua organizado pelas quadras de 1855, e a cidade se espalhou depois para além do quadrilátero original do plano.

Barbosa não viu a capital crescer. Doente de malária, embarcou para Estância em 3 de agosto de 1855, no vapor Santa Cruz, e morreu em 6 de outubro daquele ano, depois de dez meses e 19 dias no cargo. Pirro seguiu na administração do Império e chegou a vice-presidente da província do Amazonas em 1867.

Por isso o aniversário tem peso duplo: lembra o nascimento da cidade e a decisão política de levar o centro do poder de Sergipe para o litoral. Nos anos seguintes, o porto se firmou como entreposto do açúcar, e por volta de 1865 a nova sede já estava consolidada como capital.

Da Catedral às fábricas, e a guerra no litoral

Com o governo instalado, vieram a igreja, as primeiras indústrias e as obras urbanas. A padroeira, Nossa Senhora da Conceição, foi consagrada nos primeiros anos da capital. Em 1910, com a criação da Diocese, a igreja matriz virou Catedral Metropolitana. A festa da padroeira é em 8 de dezembro, data diferente do aniversário.

Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, no Centro. Foto: Túllio F, CC BY-SA 4.0

Em 1884, a cidade ganhou a primeira fábrica de tecidos, marco do início da industrialização local. A partir de 1900, as ruas do Centro começaram a receber calçamento de pedra e obras de embelezamento e saneamento. Em 1908 foi inaugurado o serviço de água encanada, e em 1914 chegaram os esgotos sanitários e a estrada de ferro. Desde a década de 1880, a capital já tinha imprensa oficial e linhas de barco para o interior.

Em 1926 abriu o Mercado Antônio Franco, que virou polo do comércio popular ao lado do Mercado Thales Ferraz, com artesanato, temperos e rendas de bilro.

Em agosto de 1942, a Segunda Guerra chegou à costa sergipana. Entre 15 e 16 de agosto, o submarino alemão U-507 afundou os navios Baependy, Araraquara e Aníbal Benévolo perto do litoral de Aracaju, com centenas de mortos. Os ataques pesaram na decisão do governo Getúlio Vargas de declarar guerra à Alemanha e à Itália, poucos dias depois.

A catedral fica no Centro desenhado por Pirro. Do outro lado do rio, a ponte Construtor João Alves ligou Aracaju à Barra dos Coqueiros e integrou as praias do litoral norte à capital, enquanto o traçado de 1855 segue legível nas esquinas em ângulo reto do centro antigo.