O aniversário de Americana, em 27 de agosto, é feriado?
Não, o aniversário de Americana não é feriado municipal.
O feriado municipal de Americana é o dia de Santo Antônio, padroeiro (13 de junho). No aniversário, a cidade funciona como em um dia comum.
Das fazendas do Salto Grande à estação de 1875: a história do 27 de agosto
Os primeiros registros de ocupação do território de Americana datam do final do século XVIII. Antônio Machado de Campos, Antonio de Sampaio Ferraz, Francisco de São Paulo e André de Campos Furquim se estabeleceram nas terras de Salto Grande, às margens dos rios Atibaia e Jaguari, afluentes do Piracicaba. Ali cultivavam cana-de-açúcar e produziam aguardente, em fazendas como a Salto Grande, a Machadinho e a Palmeiras.
A partir de 1866 chegaram os sulistas dos Estados Unidos, derrotados na Guerra de Secessão. O primeiro foi o coronel William Hutchinson Norris, advogado e ex-senador do Alabama, que se instalou perto da sede da Fazenda Machadinho e do Ribeirão Quilombo. No ano seguinte vieram a família dele e dezenas de outras famílias confederadas, que se espalharam pelos arredores da Vila de Santa Bárbara.
Os colonos trouxeram o arado, o trole e a melancia conhecida como Cascavel da Geórgia, e aprimoraram o cultivo do algodão. Também deixaram marca na educação, na medicina e na odontologia. Muitos eram donos de pessoas escravizadas e vieram para um país onde a escravidão ainda era legal; a abolição, em 1888, alcançou também essas propriedades.
O núcleo urbano nasceu com a ferrovia. A Companhia Paulista, criada pelos fazendeiros de café, levou os trilhos até a frente da sede da Fazenda Machadinho, e a estação foi inaugurada em 27 de agosto de 1875, com a presença de Dom Pedro II. Chamava-se Estação de Santa Bárbara, porque estava em terras daquela vila, a cerca de 10 quilômetros. O capitão Ignácio Correa Pacheco loteou terras em volta, e ali se formou o primeiro núcleo urbano.
- 1866Chegada do coronel William H. Norris, ex-senador do Alabama, à região.
- 1875Inauguração da estação ferroviária, em 27 de agosto, e início da fábrica têxtil Carioba.
- 1924A Lei Estadual 1.983, de 12 de novembro, eleva Vila Americana a município, desmembrado de Campinas.
- Anos 1970Construção da Basílica de Santo Antônio.
- 1987Primeira edição da Festa do Peão de Americana.
- 2025A cidade marca os 150 anos da fundação.
Da fábrica de Carioba ao nome Vila Americana
Enquanto a vila crescia em volta da estação, a indústria têxtil dava os primeiros passos a poucos quilômetros dali. Em 1875, o confederado William Ralston, associado aos irmãos Antonio e Augusto de Souza Queiroz, fundou a tecelagem que viria a ser Carioba. Em 1884, os irmãos ingleses Clement e George Willmot compraram a fábrica, ampliaram as instalações e começaram a vila operária.
Foram os Willmot que, em 1889, deram à empresa o nome de Fábrica de Tecidos Carioba; em tupi, carioba quer dizer pano branco. Endividados depois da abolição, os irmãos faliram em 1896, e a fábrica ficou parada por cinco anos.
Os italianos chegaram nesse intervalo. Em 8 de outubro de 1887, Joaquim Boer desembarcou à frente de uma comitiva que foi morar na Fazenda Salto Grande. Os imigrantes trabalharam na lavoura e depois nas fábricas, e em 1896 ergueram a primeira capela católica da região, onde se rezou missa em honra a Santo Antônio, que se tornaria o padroeiro.
O nome da cidade nasceu de um problema de correio. As cartas endereçadas à vila da estação eram entregues na Vila de Santa Bárbara e acabavam perdidas. Em 1900, a Companhia Paulista rebatizou a parada como Estação de Villa Americana, por causa dos confederados que moravam ali, e o povo consagrou o nome.
Em 1901, a fábrica falida foi arrematada em leilão pelo comendador alemão Franz Müller, em sociedade com o irmão Hermann Theodor e com o capitalista inglês Rawlinson. A família Müller conduziu Carioba nas primeiras décadas do século XX e estruturou a vila operária, que impulsionou a industrialização da cidade e da região.
De distrito de Campinas à Capital do Rayon
A autonomia política veio em etapas, e a partir de Campinas, a quem as terras além do Ribeirão Quilombo pertenciam. A Lei Estadual 916, de 30 de julho de 1904, criou o distrito de Vila Americana, subordinado a Campinas. Vinte anos depois, a Lei Estadual 1.983, de 12 de novembro de 1924, elevou o distrito a município, instalado em 15 de janeiro de 1925.
O Decreto Estadual 9.775, de 30 de novembro de 1938, trocou o nome de Vila Americana para Americana e criou, no mesmo ato, o distrito de Nova Odessa, anexado ao município. Nova Odessa se emancipou pela Lei Estadual 5.285, de 18 de fevereiro de 1959.
Na década de 1930 se espalhou pela cidade o trabalho por facção, em que pequenas tecelagens produzem sob encomenda de outras empresas. Esse modelo de muitas fábricas pequenas sustentou o polo de tecidos artificiais e sintéticos, sobretudo o rayon, fio feito de celulose. Daí vieram os apelidos de Capital do Rayon e Princesa Tecelã.
Nos anos 1970 foi construída a Basílica de Santo Antônio, e o dia do padroeiro, 13 de junho, ganhou lugar no calendário municipal. Em 1987 aconteceu a primeira Festa do Peão de Americana, e em 2025 a cidade marcou os 150 anos da estação. O Cemitério do Campo, principal marco da imigração confederada, fica na vizinha Santa Bárbara d'Oeste. Quem nasce em Americana é chamado de americanense.