O aniversário de Abreu e Lima, em 14 de maio, é feriado?
Sim, é feriado municipal em Abreu e Lima.
O que abre e o que fecha
| Serviço | No feriado |
|---|---|
| Bancos | As agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban). |
| Repartições municipais | Fechadas, salvo os serviços essenciais. |
| Comércio | Depende da convenção coletiva local. |
De Maricota ao município do general de Bolívar: a história do 14 de maio em Abreu e Lima
O aniversário de Abreu e Lima lembra 14 de maio de 1982, data da Lei Estadual 8.950, que desmembrou o distrito do município de Paulista e criou o município autônomo. A instalação oficial ocorreu em 31 de março de 1983. Antes disso, o território pertenceu a Igarassu e depois a Paulista, e o povoado central era conhecido como Maricota.
A data de 1982 fecha uma história de quatro séculos e meio, que começa nos engenhos de açúcar da Capitania de Pernambuco e passa por duas revoltas que marcaram o Nordeste no século XIX.
Do Engenho Jaguaribe à parada dos tropeiros
Tudo começa com uma sesmaria. Em 24 de julho de 1540, o donatário Duarte Coelho Pereira doou a Vasco Fernandes de Lucena e à família as terras de Jaguaribe, nome indígena traduzido como rio da onça. Em 1548, Vasco Fernandes, almoxarife-mor de Pernambuco, fundou ali o Engenho Jaguaribe, núcleo que deu origem à cidade.
O começo foi turbulento. Nas lutas contra os caetés, iniciadas em 1553, os engenhos de Igarassu e Jaguaribe sofreram grandes danos. A demarcação judicial das terras só saiu em 12 de junho de 1573, a pedido da viúva Beatriz Dias e dos filhos, perante o ouvidor-geral Antônio Salema.
Os beneditinos chegaram em seguida. Por volta de 1591, a ordem comprou terras encravadas em Jaguaribe. Em 7 de janeiro de 1660, frei Bento da Purificação tomou posse, em nome da Ordem de São Bento, das terras deixadas em testamento de 1647 por Inês de Oliveira. Na propriedade, por algum tempo uma das mais prósperas da área, os monges ergueram a capela de São Bento, preservada como ruína. Em 1674, um testamento de João Fernandes Vieira já descrevia o velho engenho como abandonado, restando só alguma ferragem.
O povoado se firmou ao longo da estrada que ligava Igarassu a Olinda, citada em documento de 1573 e eixo central da cidade. A meio caminho entre o Recife e Igarassu, o lugar virou parada de viajantes e tropeiros. Pela tradição oral, o nome Maricota vem de uma senhora que servia refeições na estrada. O registro escrito mais antigo do nome é um batismo de 16 de fevereiro de 1784.
- 1540Em 24 de julho, Duarte Coelho doa a sesmaria de Jaguaribe a Vasco Fernandes de Lucena.
- 1548Fundação do Engenho Jaguaribe, núcleo de origem da cidade.
- 1660Os beneditinos tomam posse das terras e erguem a capela de São Bento.
- 1784Primeiro registro escrito do nome Maricota, num assento de batismo.
- 1848Em 10 de novembro, primeira batalha da Revolução Praieira, em Maricota.
- 1948A Lei Estadual 421 troca o nome do distrito de Maricota para Abreu e Lima.
- 1982Em 14 de maio, a Lei Estadual 8.950 cria o município, desmembrado de Paulista.
- 1983Em 31 de março, instalação oficial do município.
Em abril de 1812, o cronista Henry Koster arrendou o Engenho Jaguaribe e morou nele por um ano e oito meses. A experiência está no livro Travels in Brazil, publicado em português como Viagens ao Nordeste do Brasil, com descrições da rotina do engenho e dos costumes dos moradores.
Revoltas, visita imperial e a troca de nome em 1948
O território também foi cenário de episódios políticos do século XIX. Em 16 e 17 de setembro de 1824, durante a Confederação do Equador, Frei Caneca se escondeu nas matas do Engenho Utinga. Foi capturado meses depois no Ceará e executado no Recife, no Forte das Cinco Pontas, em 13 de janeiro de 1825.
Em 10 de novembro de 1848, Maricota recebeu a primeira batalha da Revolução Praieira, deflagrada três dias antes em Olinda, entre os praieiros e as tropas legalistas. Em 1º de janeiro de 1849, no Engenho Inhamã, os revoltosos lançaram o Manifesto ao Mundo, com as propostas do movimento.
Dez anos depois, em 4 de dezembro de 1859, o imperador Dom Pedro II passou por Maricota com a comitiva, em viagem de inspeção de obras, e registrou a passagem no diário. O distrito policial de Maricota foi criado em 1863, e em 1885 o casal José Dias Feijó e Henriqueta Francisca Pereira doou terreno para a capela de São José e um cemitério.
A homenagem ao general veio no centenário da Praieira. A Lei Estadual 421, de 31 de dezembro de 1948, trocou o nome do distrito de Maricota para Abreu e Lima, em referência a José Inácio de Abreu e Lima, um dos chefes da revolta. Conhecido como general das massas, ele lutou 14 anos ao lado de Simón Bolívar nas guerras de independência da Venezuela e da Colômbia e era filho do Padre Roma, executado após a Revolução de 1817.
A autonomia exigiu duas tentativas. Uma primeira lei estadual, de 20 de dezembro de 1963, criou o município, mas um acórdão do Tribunal de Justiça, de agosto de 1964, devolveu o território a Paulista. A emancipação definitiva passou por um plebiscito em 9 de maio de 1982 e saiu cinco dias depois, com a lei estadual. Quem nasce na cidade é abreu-limense.