O aniversário de Dourados, em 20 de dezembro, é feriado?

Sim, é feriado municipal em Dourados, conforme a Lei Orgânica do Município, art. 11, parágrafo único.

O que abre e o que fecha

ServiçoNo feriado
BancosAs agências fecham em feriado municipal; canais digitais e autoatendimento funcionam (Febraban).
Repartições municipaisFechadas, salvo os serviços essenciais.
ComércioDepende da convenção coletiva local.

Terena, Kaiowá e os ervais: a ocupação do sul de Mato Grosso

Antes da colonização, as terras de Dourados eram habitadas por povos indígenas, cujos descendentes seguem presentes na região.

No fim do século XIX, famílias do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e de São Paulo partiram para o antigo Mato Grosso em busca de terras no oeste do país. As notícias sobre a fertilidade do solo atraíram novos colonos, interessados nos extensos ervais nativos, e a criação de gado ganhou espaço nos campos. Entre 1882 e 1924, a Companhia Mate Laranjeira deteve o monopólio da exploração dos ervais em toda a região, e o mate foi por décadas o principal negócio do sul do estado.

O Rio Dourados, que dá nome ao município no sul de Mato Grosso do Sul. Foto: Alceu Mauro Denes, CC BY 3.0

O nome vem do Rio Dourados, que corta a região. Entre os pioneiros se destacou Marcelino Pires, criador de gado que ocupou uma área extensa de terras onde se formaria o município, e que dá nome à principal avenida do centro. Em 1909, cerca de 50 pioneiros, entre eles Marcelino Pires, Januário Pereira de Araújo e Joaquim Teixeira Alves, começaram a formar o patrimônio do futuro povoado.

No ano seguinte, Marcelino Pires doou parte da fazenda Alvorada para o Patrimônio de Dourados. A área incluía o local onde tombou o tenente Antônio João, comandante da colônia militar de Dourados morto na invasão paraguaia de 1864, episódio da Guerra do Paraguai. A primeira casa do patrimônio foi a de Januário de Araújo.

A construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, entre 1904 e 1914, ajudou a ligar o sul do estado ao restante do país. No ano em que a obra terminou, a Lei 658, de 15 de junho de 1914, criou o distrito de Dourados, subordinado a Ponta Porã.

Linha do tempo de DouradosNove marcos, de 1904 a 2005, na história de Dourados.
  • 1904-1914Construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
  • 1914A Lei 658 cria o distrito de Dourados, subordinado a Ponta Porã.
  • 1935Em 20 de dezembro, o Decreto 30 cria o município de Dourados.
  • 1936Em 22 de janeiro, instalação do município.
  • 1943Criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, no governo Vargas.
  • 1958Caarapó e Juti se separam para formar o município de Caarapó.
  • Anos 1970Chegada da soja, com apoio da Embrapa na adaptação ao cerrado.
  • 1977Criação de Mato Grosso do Sul.
  • 2005Criação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

A emancipação de 1935 e a Colônia Agrícola

O distrito ficou ligado a Ponta Porã por duas décadas. Pelo Decreto 30, de 20 de dezembro de 1935, Dourados foi elevado a município, com sede no antigo distrito, e a instalação ocorreu em 22 de janeiro de 1936. É do 20 de dezembro que a cidade conta a sua idade.

Nos primeiros anos, o mapa interno mudou várias vezes. Em 1936 o município aparecia com quatro distritos, Dourados, Carapós, Iguassu e Juti, e no ano seguinte só com Dourados e Juti. Em 1938 Juti passou a se chamar Santa Luzia, e em 1944 voltou ao nome antigo.

Em 1943, o governo de Getúlio Vargas criou a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, dentro da política de ocupação do interior conhecida como Marcha para o Oeste. A colônia atraiu brasileiros de várias regiões e também estrangeiros. No mesmo ano, Getúlio Vargas criou o Território Federal de Ponta Porã, que incluía Dourados e durou até 1946, quando a região voltou ao estado de Mato Grosso.

Avenida Marcelino Pires, principal corredor comercial do centro de Dourados. Foto: Thiago MTB, CC BY-SA 4.0

Os colonos ajudaram a firmar a agricultura familiar e a horticultura, e o comércio cresceu em torno da avenida Marcelino Pires, que virou o principal corredor do centro. A cidade passou a funcionar como ponto de abastecimento para as famílias instaladas nos lotes da colônia.

Novos municípios, soja e universidade

A partir dos anos 1950, Dourados viu nascer municípios dentro do próprio território. Em 1958, Caarapó e Juti se separaram para formar o município de Caarapó. Em 1963, Vila Glória virou Glória de Dourados e Vila Brasil também se emancipou; em 1976 saiu Angélica e, em 1980, Douradina. Ficaram distritos como Guaçu, Indápolis, Itaum, Panambi, Picadinha, São Pedro, Vila Formosa e Vila Vargas.

Vários desses distritos têm origem em antigos povoados. Guaçu, criado em 1948, era o povoado de Macaúba, e Bocajá, de 1958, o de Rainha dos Apóstolos. Itaum veio em 1953, e Picadinha, São Pedro e Panambi no mesmo ano de Bocajá. Serraria, criado em 1963, passou a se chamar Indápolis em 1983, e Vila Formosa surgiu em 1981.

Nos anos 1970 chegou a soja. A adaptação de variedades ao cerrado, com a pesquisa da Embrapa, e a mecanização abriram novas áreas de lavoura e fizeram do milho e da soja a base da economia local. Com a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977, Dourados se firmou como polo regional do sul do estado.

Vista do centro de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Foto: LUIS BELO, CC BY-SA 3.0

O ensino somou-se a essa vocação. A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) foi criada em 2005, pelo desmembramento da UFMS, e recebe estudantes de todo o sul do estado. No calendário, dezembro concentra duas datas locais: o dia 8, de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira, e o dia 20, do aniversário.