☄ Holmes 17P/Holmes
Em 23 de outubro de 2007, o cometa 17P/Holmes explodiu de magnitude 17 para 2,8 em menos de 42 horas -- um aumento de brilho de um fator de um milhão -- e nos meses seguintes exibiu uma coma maior que o próprio Sol. Ninguém sabe ao certo por que isso aconteceu.
Como acompanhar o cometa Holmes ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Holmes a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Holmes esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Holmes sem nenhuma formula.
Ficha do cometa
| Tipo | De curto periodo |
| Designacao | 17P/Holmes |
| Periodo orbital | 6.91 anos |
| Distancia do perielio | 2.066 UA |
| Ultima passagem | 2014-03-26 |
| Proximo perielio | 2028-02-19 |
| Descoberto | 1892 (Edwin Holmes) |
Sobre o cometa Holmes
O 17P/Holmes é um cometa periódico com órbita quase circular para os padrões cometários: seu periélio fica a 2,05 UA, no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, e jamais chega perto do Sol em escala cometária. Isso tornava seus dois surtos de brilho extremos ainda mais enigmáticos: o primeiro em novembro de 1892, logo após a descoberta, e o segundo e muito mais espetacular em outubro de 2007, quando a expansão da coma fez do cometa, por volume, o maior objeto do Sistema Solar por algumas semanas -- superando até o Sol.
O surto de 2007 foi, segundo os registros históricos disponíveis, o maior aumento espontâneo de brilho já documentado em qualquer cometa. A amplitude: de magnitude 17 (visível apenas com telescópios profissionais) para magnitude 2,8 (comparável às estrelas mais brilhantes do céu de inverno) em 42 horas. E o cometa estava se afastando do Sol, não se aproximando, o que elimina o aquecimento solar crescente como causa.
História e descoberta
Edwin Holmes descobriu o cometa em 6 de novembro de 1892 a partir de Londres, durante uma observação rotineira da galáxia de Andrômeda com um telescópio de 30 cm. Na ocasião, o cometa estava em surto e atingiu magnitude 4 a 5, visível a olho nu. Holmes inicialmente pensou ter descoberto uma nova nebulosa em Andrômeda -- a posição e a aparência difusa eram compatíveis. Ao comparar com observações de noites anteriores sem aquela "nebulosa", percebeu que o objeto era novo e estava se movendo.
Poucos dias após a descoberta, o cometa escureceu rapidamente. A natureza periódica da órbita foi confirmada com cálculos subsequentes, e o período foi estimado em cerca de 6,9 anos. O cometa foi reencontrado em várias oposições ao longo do século XX. Nenhum retorno entre 1892 e 2007 produziu visibilidade notável -- até que a madrugada de 23 para 24 de outubro de 2007 mudou tudo.
Órbita e retornos
A órbita do 17P/Holmes é incomum para um cometa: excentricidade de apenas 0,4324 -- muito mais próxima de um círculo do que de uma elipse típica -- e inclinação de 19,1 graus. O periélio ocorre a 2,053 UA do Sol, na região do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, e o afélio fica a 5,183 UA, ligeiramente além da órbita de Júpiter. Isso significa que o cometa passa a vida toda em regiões do Sistema Solar onde outros objetos não teriam atividade visível.
| Retorno | Data do periélio | Magnitude normal | Evento notável |
|---|---|---|---|
| 1892 | ~nov 1892 | 4 -- 5 (surto) | Descoberta de Holmes durante surto; escureceu rapidamente |
| 1899 | ~1899 | ~15 -- 17 | Primeiro retorno documentado pós-descoberta |
| 2007 | 4 mai 2007 | 2,8 (surto 23 out) | Maior surto cometário registrado: factor 10^6 em 42 horas |
| 2014 | 27 mar 2014 | 14 -- 15 | Retorno sem surto; observação telescópica |
| 2021 | 7 mar 2021 | 14 -- 15 | Retorno sem surto; observação telescópica |
| 2028 | ~fev 2028 | estimado 14 -- 15 | Próximo periélio previsto |
O período orbital é de aproximadamente 6,88 anos. Os dois surtos documentados -- 1892 e 2007 -- ocorreram com uma separação de 115 anos, com muitos retornos sem eventos notáveis entre eles. Isso sugere que surtos são raros mesmo para este cometa, e sua causa permanece sem explicação consensual.
Núcleo, coma e cauda
O núcleo do 17P/Holmes é pequeno: estimativas baseadas em brilho residual fora dos períodos de surto apontam para diâmetro de 3,4 a 3,6 km, com albedo de cerca de 0,04. Em condições normais (fora de surto), o cometa é invisível sem telescópios de grande abertura, com magnitude entre 14 e 17.
Durante o surto de outubro de 2007, a coma expandiu-se a uma velocidade fenomenal. As medições indicam:
- Em 24 de outubro de 2007 (um dia após o início do surto): coma com diâmetro de cerca de 100.000 km
- Em 9 de novembro de 2007: diâmetro linear da coma de 1,4 milhão de km -- maior que o diâmetro do Sol (1.392.000 km)
- Em novembro e dezembro de 2007: diâmetro angular visto da Terra superando 1,4 graus, equivalente a quase três luas cheias lado a lado
A expansão não foi uniforme: imagens em alta resolução revelaram anéis concêntricos e estruturas em espiral, sugerindo múltiplos pulsos de material ejetado. A cauda iônica foi quase inexistente durante o surto -- a maioria do material ejetado era poeira e grãos sólidos, não gás ionizado.
Como observar
Em seu estado normal (fora de surto), o 17P/Holmes é invisível sem um telescópio de pelo menos 300 mm de abertura, ficando entre as magnitudes 14 e 17. Não há maneira prática de prever quando um surto ocorrerá -- os dois surtos documentados ocorreram com um intervalo de 115 anos entre si, e os retornos intermediários não produziram eventos notáveis.
Em caso de novo surto, o Holmes ficaria visível a olho nu na constelação de Perseu (onde estava em 2007 e onde retorna em 2028). Para monitorar possíveis surtos futuros, acompanhe listas de alerta de cometas como a Comets Mailing List (Yahoo Groups) ou redes de alertas amadores como COBS (Comet Observation Database). O cometa normalmente está em Perseu ou regiões vizinhas em seu retorno de 2028.
O surto de 2007: o que sabemos e o que não sabemos
O surto de outubro de 2007 foi detectado independentemente por dois observadores amadores -- Juan Antonio Henriquez Santana nas Ilhas Canárias e Ramon Naves em Barcelona -- na madrugada de 23 para 24 de outubro de 2007. O cometa havia sido fotografado dois dias antes sem nada incomum. Em menos de 42 horas, o brilho aumentou por um fator de aproximadamente um milhão (cerca de 15 magnitudes).
Três hipóteses principais foram propostas para explicar o surto:
| Hipótese | Mecanismo proposto | Evidência a favor | Problema principal |
|---|---|---|---|
| Colapso estrutural do núcleo | Colapso de cavidades internas libera gás e poeira represados sob pressão | A nuvem de ejecta inicial foi anisotropa, sugerindo liberação localizada | Núcleo parece intacto; não houve fragmentação detectada |
| Gatilho térmico retardado | Calor do periélio alcança camadas internas com atraso de semanas/meses, desencadeando sublimação explosiva | Os dois surtos documentados (1892 e 2007) ocorreram ~5 meses após o periélio | O mecanismo de atraso térmico de meses não é bem explicado para um cometa a 2 UA |
| Reações químicas exotérmicas | Radicais instáveis acumulados no gelo (ex.: H2O2) reagem catastroficamente após perturbação | Explicaria liberação de energia sem fonte solar direta | Nunca confirmado experimentalmente em amostras cometárias |
Nenhuma das hipóteses foi conclusivamente confirmada. O surto de 2007 permanece como um dos eventos cometários mais bem documentados e menos compreendidos da história da astronomia.
Curiosidades e recordes
- O surto de outubro de 2007 foi o maior aumento de brilho espontâneo documentado em qualquer cometa: de magnitude 17 para 2,8 em 42 horas, um fator de amplificação de cerca de um milhão.
- No pico da expansão, a coma do Holmes tinha diâmetro linear maior que o do Sol -- tornando-o temporariamente o maior objeto do Sistema Solar por volume, embora com massa e densidade absolutamente negligenciáveis comparadas ao Sol.
- O cometa ficou visível a olho nu por mais de três meses após o surto de 2007, um período excepcional para um cometa que nunca se aproxima do Sol além de 2 UA.
- Em 1892, Holmes pensou ter descoberto uma nebulosa em Andrômeda -- a posição e aparência difusa eram enganosas. Apenas ao comparar com placas fotográficas de noites anteriores percebeu que o objeto era novo e estava se movendo.
- Cálculos retrospectivos não encontraram nenhuma perturbação gravitacional de Júpiter ou outro planeta que pudesse ter desencadeado o surto de 2007.
- O surto de 1892 e o de 2007 ocorreram ambos aproximadamente cinco meses após o periélio -- uma coincidência temporal que reforça a hipótese de gatilho térmico retardado, embora sem prová-la.
- Dezenas de milhares de observadores em todo o mundo acompanharam o Holmes em outubro e novembro de 2007, tornando-o o cometa mais observado simultaneamente por amadores desde o Hale-Bopp em 1997.
Outros cometas
Perguntas frequentes
Onde esta o cometa Holmes agora?
O cometa Holmes esta agora a 4.04 UA do Sol e 3.53 UA da Terra (cerca de 528 milhoes de km), em ascensao reta 197.6 graus e declinacao -30.5 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distancia do cometa Holmes a Terra?
Neste momento ele esta a 3.532 unidades astronomicas, aproximadamente 528.4 milhoes de quilometros.
Quando e o proximo perielio do cometa Holmes?
O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2028-02-19, daqui a cerca de 604 dias.
Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
| Distancia heliocentrica | 4.03574 AU |
| Distancia da Terra | 3.53193 AU |
| RA (J2000) | 197.626° |
| Dec (J2000) | -30.549° |
| Semieixo maior (a) | 3.6261 AU |
| Excentricidade (e) | 0.43016 |
| Inclinacao (i) | 19.070° |
| Afelio | 5.186 AU |
Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.