☄ Faye 4P/Faye
O cometa 4P/Faye orbita o Sol a cada 7,5 anos e foi visto em todos os seus retornos desde 1843 sem uma única exceção. Veja quando ele volta e como observá-lo em 2029.
Como acompanhar o cometa Faye ao vivo
O painel acima recalcula a posicao de Faye a cada segundo no seu navegador: a distancia ate o Sol e ate a Terra, as coordenadas no ceu (ascensao reta e declinacao) e uma contagem regressiva ate o proximo perielio. Ele roda no mesmo tipo de motor que os observatorios usam, um solver de Kepler aplicado aos elementos orbitais osculadores do JPL, entao os numeros nao sao uma foto parada, eles continuam correndo.
Logo abaixo, o mapa do Sistema Solar visto de cima mostra exatamente onde Faye esta agora em relacao aos planetas. Voce pode adiantar o tempo com o slider de dias, dar zoom e arrastar, comparar a distancia dele a outro corpo com um clique e apertar "Proximo evento" para saltar direto ao perielio. E a forma mais direta de entender a orbita de Faye sem nenhuma formula.
Ficha do cometa
| Tipo | De curto periodo |
| Designacao | 4P/Faye |
| Periodo orbital | 7.40 anos |
| Distancia do perielio | 1.578 UA |
| Ultima passagem | 2021-09-05 |
| Proximo perielio | 2029-04-18 |
| Descoberto | 1843 (Herve Faye) |
Sobre o cometa Faye
Hervé Faye era astrônomo no Observatório de Paris quando, em 22 de novembro de 1843, registrou um objeto difuso que não correspondia a nenhuma estrela catalogada. O que ele encontrou foi um cometa de período curto pertencente à família de Júpiter, com órbita quase circular se comparada aos grandes cometas parabólicos que de vez em quando cruzam o céu interior do Sistema Solar. Em 180 anos de observações ininterruptas, o 4P/Faye foi recuperado em cada um dos seus periélios sem falha alguma, conquista rara entre cometas de período curto.
O 4P não chama atenção pelo brilho. Raramente passa da magnitude 9, e sua coma é compacta, sem cauda proeminente. O que o torna valioso é a combinação de regularidade orbital e longevidade observacional: cada retorno acrescenta dados a uma base que hoje supera 25 aparições documentadas, permitindo refinar modelos de evolução de núcleos cometários e medir com precisão as forças não-gravitacionais causadas pela sublimação de gases.
História e descoberta
Faye registrou o cometa em 22 de novembro de 1843, mas mau tempo adiou a confirmação até o dia 25. Cálculos posteriores mostraram que o objeto já havia passado pelo periélio cerca de um mês antes da descoberta: apenas uma aproximação com a Terra o tornou visível o suficiente para o instrumento de Faye. Friedrich Wilhelm Argelander e Thomas James Henderson calcularam de forma independente, em 1844, que se tratava de um cometa de período curto, e em maio daquele ano o período havia sido estimado em aproximadamente 7 anos.
A designação numérica 4P reflete que ele foi o quarto cometa periódico confirmado pela astronomia, atrás apenas do Halley (1P), do Encke (2P) e do Biela (3P, hoje desintegrado). O Biela se fragmentou visivelmente em 1846 e desapareceu; o 4P/Faye, ao contrário, sobreviveu a todos os seus retornos documentados. Em 1843, ano da descoberta, observadores também acompanhavam o Grande Cometa de 1843 (C/1843 D1), um dos mais brilhantes do século XIX, o que tornou o 4P uma curiosidade secundária naquele período de grande excitação cometária.
Órbita e retornos
O 4P/Faye pertence à família de Júpiter: seu afélio fica a cerca de 6,03 UA do Sol, próximo à órbita joviana, e seu periélio ocorre a aproximadamente 1,61 UA, entre as órbitas de Marte e da Terra. O período orbital médio é de 7,48 anos. Por não se aproximar muito do Sol, o núcleo sofre menos sublimação por passagem do que cometas com periélio próximo de 1 UA, o que contribui para sua longevidade observacional.
Júpiter encurtou gradualmente o período orbital do cometa ao longo dos séculos: antes de uma aproximação com o planeta gigante em 1840, o período era cerca de 7,7 anos; hoje está em 7,48 anos. Essa perturbação contínua é característica de todos os membros da família joviana e impede previsões de muito longo prazo sem recálculo orbital periódico. O próximo periélio está previsto para 9 de março de 2029.
| Periélio | Data aproximada | Magnitude máxima | Observações |
|---|---|---|---|
| 2006 | 29 nov 2006 | ~11 | Hemisfério norte favorável |
| 2014 | 29 mai 2014 | ~11 | Geometria moderada |
| 2021 | 8 set 2021 | ~10,5 | Acessível a telescópios de 15 cm |
| 2029 | 9 mar 2029 | ~10 a 12 | Geometria favorável hemisfério norte Q1 |
Núcleo e família
O núcleo do 4P/Faye é estimado em torno de 3,54 km de diâmetro com base em observações do Hubble Space Telescope realizadas entre 1999 e 2000. Estudos mais recentes com o NEOWISE apontam albedo geométrico de aproximadamente 0,04, valor típico de núcleos cometários escuros. Isso significa que o núcleo reflete apenas 4% da luz solar que recebe, tornando-o praticamente negro mesmo em imagens de alta resolução.
Como membro da família de Júpiter, o 4P compartilha características gerais com outros cometas capturados gravitacionalmente pelo planeta gigante: períodos de 3 a 20 anos, inclinações orbitais baixas a moderadas, e histórico de perturbações por encontros com Júpiter. Ao contrário de muitos cometas jovianos, o 4P/Faye não tem chuva de meteoros conhecida associada, provavelmente porque sua órbita cruza a da Terra com ângulo e distância desfavoravelmente baixos para depositar material detectável.
- Diâmetro do núcleo: ~3,54 km (Hubble, 1999-2000)
- Albedo geométrico: ~0,04 (NEOWISE)
- Inclinação orbital: 9,1 graus
- Excentricidade: 0,578
- Grupo: família de Júpiter (JFC)
- Classificação IAU: cometa periódico confirmado em todas as aparições desde 1843
Como observar
O 4P/Faye raramente passa da magnitude 9, portanto exige binóculo ou telescópio. Nas melhores oposições aparece como uma mancha difusa de coma pequena, sem cauda proeminente. O periélio de 2021 colocou o cometa em torno de magnitude 10,5 nos melhores momentos, acessível a telescópios de 15 cm em céu escuro.
Para 2029, os cálculos orbitais preliminares indicam geometria favorável no hemisfério norte no primeiro trimestre do ano. A distância geocêntrica permanecerá relativamente alta, mas a elongação solar adequada deve permitir observações no período pré-amanhecer para latitudes médias do hemisfério norte a partir de fevereiro de 2029. Observadores do hemisfério sul poderão registrá-lo antes do periélio, ainda que com brilho inferior. Ephemerides atualizadas estão disponíveis no banco de dados do JPL Horizons e no site In-The-Sky.org.
- Instrumento mínimo recomendado: binóculo 10x50 ou telescópio de 10 cm
- Melhor período em 2029: janeiro a abril, céu pré-amanhecer hemisfério norte
- Campo ideal: sem Lua, altitude mínima de 30 graus sobre o horizonte
- Fonte de ephemerides: JPL Horizons (horizons.jpl.nasa.gov)
Ciência e observações históricas
O valor científico do 4P/Faye está na extensão do seu registro histórico. Com mais de 25 aparições documentadas desde 1843, ele permite estudar como a atividade cometária varia de um ciclo para outro e como as forças não-gravitacionais acumulam efeito ao longo de décadas. Medições fotométricas sistemáticas mostram que o nível de atividade do 4P tem sido relativamente estável ao longo das últimas aparições, sugerindo que a superfície ainda possui áreas ativas suficientes para manter a sublimação.
As forças não-gravitacionais, causadas pelo efeito de foguete da emissão de gás pelo núcleo, produzem desvios mensuráveis em relação às órbitas puramente gravitacionais. No caso do 4P/Faye, esses desvios são pequenos mas detectáveis, e seu estudo contribui para modelos de como a sublimação altera trajetórias de pequenos corpos ao longo de escalas de tempo geológicas. O período orbital de 7,48 anos significa que, em cem anos, o cometa completa aproximadamente 13 órbitas, acumulando desvios que, sem correção, tornariam as efemérides progressivamente menos precisas.
Curiosidades
- O 4P/Faye é o quarto cometa periódico numerado da história, atrás apenas do Halley, do Encke e do Biela (este último desintegrado).
- O 4P foi observado em todos os retornos desde 1843 sem exceção, feito raro entre cometas de período curto: muitos são perdidos por geometria desfavorável ou enfraquecimento do núcleo.
- Em 1843, ano da descoberta do 4P, o Grande Cometa de 1843 (C/1843 D1) cruzou o céu como um dos objetos mais brilhantes do século, tornando Faye uma curiosidade secundária naquele ano excepcional.
- Ao contrário de cometas como o Halley ou o Encke, o 4P/Faye não tem chuva de meteoros conhecida: sua órbita cruza a da Terra em ângulo e distância que não produzem fluxo de detritos detectável.
- O diâmetro do núcleo (3,54 km pelo Hubble) é modesto para a família joviana; o 10P/Tempel 2, por exemplo, tem núcleo estimado em 10,6 km.
- O nome é simplesmente o sobrenome do descobridor, Hervé Faye, seguindo a convenção oitocentista que nomeava cometas com o sobrenome de quem os registrou primeiro.
Outros cometas
Perguntas frequentes
Onde esta o cometa Faye agora?
O cometa Faye esta agora a 5.63 UA do Sol e 4.84 UA da Terra (cerca de 723 milhoes de km), em ascensao reta 230.9 graus e declinacao -11.8 graus. Calculado ao vivo por solver de Kepler.
Qual a distancia do cometa Faye a Terra?
Neste momento ele esta a 4.835 unidades astronomicas, aproximadamente 723.3 milhoes de quilometros.
Quando e o proximo perielio do cometa Faye?
O proximo perielio (maior aproximacao do Sol) e em 2029-04-18, daqui a cerca de 1,028 dias.
Dados tecnicos (orbita e coordenadas)
| Distancia heliocentrica | 5.62618 AU |
| Distancia da Terra | 4.83520 AU |
| RA (J2000) | 230.927° |
| Dec (J2000) | -11.783° |
| Semieixo maior (a) | 3.7979 AU |
| Excentricidade (e) | 0.58446 |
| Inclinacao (i) | 8.159° |
| Afelio | 6.018 AU |
Posicao calculada em tempo real via solver de Kepler com elementos orbitais osculadores.